Feliz por Nada, de Martha Medeiros

Saudações, leitores e leitoras!
Antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas pela demora (as contas no fim do mês não dão trégua, sabem como é) e agradecer, mais uma vez, pela recepção de vocês.
Fiquei feliz quando vi que muita gente gostou do post sobre Jornalismo. O retorno foi maior do que eu esperava e por isso o tema vai voltar… no próximo post! Hoje vou mostrar pra vocês um livro excelente, escrito por uma autora que eu gostaria de ter conhecido antes. Prontos?
Parece, mas não é
Quem olha a capa de “Feliz por Nada”, da cronista Martha Medeiros, corre o risco de confundí-lo com um daqueles livros de auto-ajuda, estilo “100 Segredos das Pessoas Felizes”. Como não é um estilo que eu aprecie, quase deixei passar – ainda bem que uma das vendedoras da livraria (valeu, moça!) desfez o engano: era um livro de crônicas.
Pra quem não conhece o termo, crônicas são textos curtos sobre temas do dia-a-dia, que geralmente mostram situações vividas pelo autor. Leves, podem esconder ideias profundas e fazer você pensar sobre a vida – e se divertir com isso.
“Feliz por Nada” reúne 75 textos da autora publicados entre junho de 2008 e maio de 2011 nos jornais O Globo e Zero Hora. Seguindo o padrão das crônicas, são curtos (duas páginas, no máximo) e têm muitas vezes títulos curiosos (“Atração pelo apocalipse”, “Seu apartamento é feliz?” e “Confie em Deus, mas tranque o carro”).

Magnético
O estilo da Martha Medeiros é muito especial porque consegue prender o leitor numa mistura de bom-humor, agilidade e “questões existenciais” nas quais muitos de nós provavelmente já passamos horas (dias, talvez) pensando.
Quase todos os textos têm algum acontecimento da vida da autora por trás, uma espécie de “gatilho”: um livro que leu, uma conversa com amigos num restaurante, um filme, uma foto encontrada por acaso na internet. Quantas vezes isso já aconteceu com vocês? Às vezes até uma coisa simples como tomar banho ou passear com o cachorro pode fazer a gente pensar na vida. Esses “gatilhos” aparecem o tempo todo no livro e no nosso dia-a-dia. Não é à toa que é fácil se identificar com a autora.
Bom humor inteligente, que não é arrogante, nem baixo, consegue fazer você refletir sobre a vida e, ao mesmo tempo, se divertir. Some tudo isso a um livro muito bem editado (do tamanho das margens à escolha da fonte, tudo deixa a leitura mais agradável) e você vai entender por que eu mal conseguia largar “Feliz por Nada” até acabar de ler. “Só mais um texto…” era uma mentira que eu contava pra mim mesmo.
Eu poderia passar o dia todo aqui, reforçando a recomendação, mas vou resumir: leiam, e não vão se arrepender.
Aqui vai uma pequena amostra do texto que dá nome ao livro:
“Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta os outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando ‘realizado’, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.”
(“Feliz por nada”, p. 142)
Em tempo: quem me indicou os livros da Martha Medeiros pela primeira vez foi minha mãe. Meu arrependimento foi não ter seguido a indicação antes! Valeu, mãe hehehe

