abertura-melina
Everything Else

a incursão (daniel granato)

26.11.2012

a porta aberta

o forte acre cheiro da noite

meia luz entrelaçada com finos traços de poeira

nos ralos das raras ruelas

ainda parcialmente acesas

encobertas de mistérios de cobre

cobrem o corpo na noite

e de pé, mira pela fresta da porta,

a porta aberta à frente,

ela

tem medo de algo, do corredor comprido

de-não-sei-o-que-mais com pelos, unhas gigantes e garras

a geladeira é alvo quase militar

e seu estômago se revira e sofre bombardeios

como se 2ª Guerra Mundial fosse

o que fazer se os outros soldados do alojamento dormem

e a escolta é mero devaneio embalado na madrugada?

existe a gana e só ela

mas existem também sombras, cortinas

se mexendo em rodopios, danças de objetos parcialmente a mostra

manchados e com estampas de flores

o caminho longo é suplício

de areia, pedra, ventania

assobios e silvos, o abajour sussurra

a velocidade de caramujo

com que os segundos da noite ostentam e transcorrem

marcam os passos pé ante pé

da heroína solitária da madrugada sedenta

e nessa injeção de coragem

vai, vagarosa vagando, ora veementemente

por vãos reticentes e o papel de parede se descolando

não ajuda o pouso de suas mãos pequeninas

e analisando o perigo iminente, continua

olhos arregalados, ouvidos mais atento que cães de caça

mãos geladas, pés em atrito com o incômodo chão espinhoso

ela vai vai e vai

e chega

abre a porta

de supetão

a luz gritante na cara

uma lufada de vento frio frontal lhe eriça os pelos do braço

alguns cheiros adentram suas narinas

de variadas cores, nomes, formas

alguns

ferem seus olhos de forma gritante

e apenas um copo d´água

no fim das contas

lhe confere o conforto orgulhoso e penitente

da condecoração emblemática no peito do pijama de pequenos corações

pela coragem e bravura em campo

daí

em um gole

a água sorvida por completo

e um sutil sorriso estampado no rosto

surgem-lhe forças desconhecidas

de locais indubitavelmente inóspitos

para comandar o vitorioso batalhão de uma só

de volta à sua cama.

Por

Daniel

  1. Julia says:

    adorei o texto!!
    Mel, preciso de fazer um trabalho em ingles. Eh em slide. Me da dicas de coisas legais pra falar?

  2. Adorei seu blog, o estilo de suas fotos, os textos… tudo! Entrou para minha lista… bjus

  3. Mariana says:

    Bonito poema.
    mich mehr als du glücklich süß ;)

  4. Adorei o poema, Daniel..seja em verso ou em prosa você sempre nos encanta pois escreve muitíssimo bem e com o coração. Parabéns por mais esse post!

    Beijinhos

  5. Tata Boppre says:

    Uauuu, quanta criatividade!

  6. Beatriz says:

    Aah, fazia muito tempo que eu não me encantava por um poema! A sutileza e, ao mesmo tempo, riqueza para narrar uma passagem tão corriqueira que é o levantar à noite para beber água! Amei a descrição dos sentimentos de forma tão harmônica *-* Ganhou uma fã (mais uma!), Daniel! :}

  7. gabi says:

    Minha nossa. Tenho que parabenizá-lo pois que há algum tempo não leio um poema tão bem escrito por entre blogs que acesso :) !
    A forma como você discorre um ato tão simples me cativa, sinceramente! Fiquei alegre com tantos detalhes reunidos em um momento rápido!
    Conte com minha leitura sempre que estiver aqui.

  8. Anna Stavale says:

    po, é isso mesmo? poema do amigo da minha amiga lais, aqui nesse blog? hahahaha que coisa, não esperava por essa :)
    parabéns daniel.

  9. Jowzinha says:

    O poema é ótimo, mas confesso que tive um pouco de dificuldade pra ler de uma forma certa.

    :*

  10. Leio o seu blog faz tempo meu, mas comentei poucas vezes. Ameei esse poema, amei, amei! Muito interessante! Beijos!

  11. Bárbara Oliveira says:

    Ah, achei super fofo esse poema!
    Eu , me identifiquei muito, com cada verso!
    Parabėns :-)

  12. Júlia Corrêa says:

    Estou um pouco envergonhada de não fazer um comentário melhor, mas me sinto na obrigação de dizer: seu texto é muito bom.


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