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maneira de olhar

17.06.2013

maneira

Acordei. Estava sem meus óculos há exatamente um dia, onze horas, sete minutos e alguns segundos, o que me causava enorme estranhamento. Meu companheiro fora parar em algum universo paralelo, um mundo qualquer longe de meus olhos, literalmente falando. Não o preciso tanto assim, mas após uma maratona de filmes legendados, rostos distantes e horas a fio utilizando a tal maravilha tecnológica inimiga da boa visão, vulgo computador, meus olhos pediam socorro. De menina protegida, passei a ser um objeto vulnerável, um simples alvo de acenos irreconhecíveis e tropeços constantes. Ora, pois um óculos não poderia ser tão importante na vida de uma pessoa, eu dizia suspirando fundo. Era. Tanto era, quanto quem sabe, sofria mais a falta que certa vez na infância quando levei um peteleco, um puxão de orelha e palavras rudes de uma colega da escola. Sem pausas, andava de um lado a outro como uma barata tonta, falando em voz alta, como se São Longuinho ou qualquer outro santo pudesse me ouvir. Caminhei então até a sala, quando percebi um pequeno objeto delicadamente posicionado em cima da bolsa, pronta para ser levada embora. Era ele. Lá estava, da maneira que lembrava da última vez, bem longe de onde imaginava, mas com todos os riscos e rachaduras, do jeito que a vida o havia feito. Nesse momento fui completa, fui eu, fui alta definição. Agora apenas me pergunto por que motivo estou com ele no rosto, o que me traz algumas opções: talvez tenha conseguido por reza brava, pela compaixão de minha mãe que o encontrou e devolveu ao seu devido lugar, quem sabe, São Longuinho tenha me ajudado, mas por puro romance, prefiro pensar que ele sentiu saudade e voltou por querer voltar a enxergar o mundo de minha maneira, em forma de poesia e canção.

***

Gostaram? Essa ainda não é a história que prometi semana passada, porém quero saber o que vocês acham desse estilo de narrativa, agrada? Gosto muito de escrever em detalhes, acho que torna a experiência com a leitura muito mais rica e profunda. Vamos lá, me contem! E caso ainda tenham alguma dica para mim, queiram que eu escreva sobre algum assunto, ou qualquer coisa assim, comentem!

Um beijo, Dan ❤

Por

Danile Pedrozo

  1. Sara Carvalho says:

    Dani! Amei esse texto *-*
    Conheço o sentimento,haha
    Beijos :)

  2. Karlie says:

    Eu gostei desse :)
    Espero que você continue fazendo textos assim – e eu também gosto de narrativas detalhadas <3

  3. Bárbara Souza says:

    Ameeei o texto!! Adoro o jeito que você escreve, transformando um acontecimento corriqueiro em uma coisa poética *–*

    P.S.: Também uso óculos e vivo perdendo… acho que vou começar a enxergá-lo com “outros olhos” haha’

  4. Giovanna says:

    Belíssimo texto Dan! Retrata acontecimentos simples do nosso dia-a-dia, porém com uma essência. Inspirador, amei! Quero mais <33

  5. Oii Danile, tudo bom?
    A foto e o texto estão de excelente qualidade, parabéns!
    Acredito que não há nada a ser melhorado, seu texto é ótimo e gostoso de se ler!
    Continue assim!
    bjsss

  6. Outro texto incrível, Dan….adorei. E sabe de uma coisa, me identifiquei bastante, afinal, vivo perdendo os meus e fico louquinha procurando e enloquecendo toda a casa…sem falar que o pobre do São Longuinho é sempre solicitado! :)

    Parabéns mais uma vez!

    Beijinhos

  7. Lorena Moura says:

    Adorei o texto!
    Esse problema acontece muito comigo e adorei o jeito com o qual você explicou a sensação de depender do óculos (algo que eu acho que parece um pouco insignificante para as pessoas que não usam). E você conseguiu traduzir, em bonitas palavras, esse sentimento.
    Espero ansiosa seus próximos posts!
    Lolo

  8. Gabriela Tavares says:

    Que texto mais fofo! Você conseguiu escrever sobre um tipo de sentimento diferente, mostrando o quanto certas coisas passam a fazer parte de nós. Aaah! E adorei os detalhes, eles dão riqueza ao texto. Parabéns *-*.

  9. Tátila says:

    Amei o texto. Já passei por isso diversas vezes. Sem meus óculos é como se me faltasse um braço. Desde os nove anos eu comecei a ver o mundo a minha maneira.

    Gostei demais do texto :D

  10. Marijleite says:

    Tem menos de dois meses que uso óculos, e é tão bom poder enxergar direitinho! Por enquanto não deixo eles em qualquer lugar, não precisei pedir pra São Longuinho me ajudar a encontrá-los (que legal saber que não sou a única que acredita nele, o santo que sempre me ajuda).
    Gostei do texto, só o dividiria em parágrafos talvez.
    http://www.petalasdeliberdade.blogspot.com.br

  11. Lívia says:

    Quando vi o título logo pensei: ebaebaeba post da Dan! *-* Mágica a descrição de um pequeno objeto que é a vida pra muita gente!

    Tô ansiosa pro início da história! Quem sabe um dia não vira um livro? ;)

    Beijinhos ;*

  12. Fabiana Carmelo says:

    Adorei! Graças a você a relação entre eu e meu óculos ficou muito mais esclarecida. Boa narrativa também!
    Beijos, super ansiosa por história sua.


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