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Books

Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo (Chris Ware)

14.01.2014

Eu tinha várias expectativas em relação a esse livro, e apenas metade delas foi cumprida.

Talvez não fosse o momento certo para eu ler a história de Jimmy, mas, de qualquer forma, quero contar a vocês como foi!

Jimmy precisa de VOCÊ

O livro surpreende logo de cara, com um projeto gráfico curioso, em que longas sequências de quadrinhos minúsculos se misturam com diagramas, desenhos para recortar (mas que você não é maluco de cortar) e páginas que lembram provas do ensino médio – mas que, na verdade, explicam alguns elementos da narrativa, com uma letra minúscula, como as de bulas de remédio.

Na capa (e no próprio título), você já nota o sarcasmo do autor, que se refere ao livro como “uma réplica a cores em tamanho real do desvio cultural de 2000 d.C. tomado por um editor, de resto perfeitamente confiável, que foi tapeado a crer que obras literárias em figuras poderiam de fato render uma grana”. Além disso, o protagonista não parece “o menino mais esperto do mundo”…

Na quarta capa, a brincadeira continua, com uma historinha mostrando as aventuras de um exemplar do livro, que sai da China, chega nos Estados Unidos, fica encalhado numa livraria e é “resgatado”, junto com outros, pelo autor. Mais uma brincadeira, já que Jimmy Corrigan ganhou vários prêmios e teve boas vendas lá fora – e aqui também, imagino!

Chris Ware, o autor, faz um apelo, ao final dessa pequena narrativa: “A cada 12 ½ minutos, alguém, em algum lugar, joga fora seu exemplar de Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo. Descartadas, indesejadas, abandonadas, essas recordações cada vez mais irrelevantes do século passado precisam de SUA ajuda, de SEU amor, seja numa lixeira, numa venda de garagem ou mofando numa seção esquecida de uma rede de livrarias”.

Uma leitura inesperada

Eu e a Mel ficamos ansiosos para ler esse livro (não exatamente por causa do pedido de Chris, mas ele não precisa saber disso…) e, bem… acho que ainda não estávamos preparados.

A história é muito simples: Jimmy, um adulto tristonho e socialmente deslocado, recebe um convite para visitar o pai (que tinha abandonado ele e a esposa quando Jimmy era pequeno) no feriado de Ação de Graças.

Jimmy desperta compaixão, mas não o suficiente para compensar a narrativa extremamente esquisita. Pra começo de conversa, o autor conta a história de dois personagens – Jimmy e seu avô, James –, que são… iguais! Sei que foi intencional, que obriga o leitor a prestar atenção, e que depois de um tempo você entende quem é quem, mas não gostei desse recurso.

Além disso, os três têm muita imaginação, e Chris faz questão de retratar isso, a ponto de fazer você reler um trecho várias vezes até entender se aquilo realmente aconteceu na história ou se era apenas um delírio do protagonista.

Jimmy se sente mal por ter sido largado pelo pai, e a falta de intimidade coloca os dois em situações desconfortáveis (o clima estranho é muito bem retratado); o avô tinha um pai autoritário, e sofria bullying na escola. Isso deixa a história pesada, meio triste, e eu precisei fazer um esforço consciente para terminar a leitura, não porque ela me prendesse, mas porque eu queria saber o que acontecia com os personagens.

Por outro lado, os desenhos são muito bem feitos, a arte-final é bonita e eu gostei do traço do autor. Texto e arte, por sinal, estão muito bem integrados entre si!

Até a próxima, Jimmy

Jimmy Corrigan foi aclamado por vários críticos, mas confesso que não gostei muito (não agora, pelo menos; pretendo reler daqui a algum tempo). Achava que seria uma história mais envolvente, focada em apenas um protagonista, e que não seria tão confusa.

Por outro lado, eu já imaginava que ia ser um livro… peculiar. Essa é a parte das expectativas que o autor cumpriu.

Recomendo que você vá a uma livraria e dê uma lida nas primeiras páginas antes de comprar, pra ver o que acha da proposta.

Não me arrependo de ter lido, mas pretendo repetir a experiência daqui a alguns anos (como estou fazendo com a série Harry Potter, que adorei da primeira vez e estou curtindo ainda mais agora).

ISBN 9788535915488 Editora Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras) Nota 3/5 Páginas 388

Obrigado pela leitura e… até semana que vem!

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Por

Gui

  1. Otacilio says:

    Já tinha visto uma resenha desse livro mas “passou batida” quando li a resenha fiquei até com vontade de comprar o livro, essa sua resenha Gui só me deu mais vontade, a única coisa que não tenho é o dinheiro! :(

  2. Gui adoro suas resenhas, são transparentes, muito bem escritas e honestas…dá pra confiar de olhos fechados!
    Adorei as fotos e achei o livro lindo mas confesso que também não estou num momento pra ler livros assim, prefiro uma leitura mais leve que não me faça pensar muito…pelo menos por hora!

    Beijinhos

  3. Flavinha says:

    Também tenho o hábito de reler livros após alguns anos. É interessante como a nossa personalidade e nossos gostos podem mudar com o tempo, como o gosto por saladas e vegetais. Gostei da sua resenha, bem honesta, eu não compraria o livro, não gosto de me sentir confusa na leitura, prefiro livros arrebatadores :)

  4. Thalissa Cavejon says:

    Guii, simplesmente adoro seus textos!
    Você resenhou muito bem o livro, foi transparente e crítico, o que por sinal me fez ficar vontade de ler e tentar entende-lo.

    Abraaaço!

  5. Ana B says:

    Oi, Gui!
    Confesso que ler sua resenha me deu um certo alívio, pq também não gostei muito da história. O que mais se destacou mesmo foi o projeto gráfico, que achei sensacional, mas a história… Huahauauh… Acho que nem foi tanto pelo fato de ser confusa, mas foi mais pela melancolia do Jimmy. Tinha momentos na história que eu queria pegar ele pelo ombro e chacoalhar ele, pra ver se ele acordava… Hehehe…

    Enfim, adoro suas resenhas! – e as suas escolhas de leitura, que são bem interessantes!
    Abçs!

  6. André Luiz says:

    APENAS QUE me senti inteiramente instigado por essa obra! Adorei a sinopse, curto esses dramas confusos e com uma pontada de melancolia. Com certeza, devo ler!

    Uma pena que quadrinhos sejam tão caros no Brasil, apesar do trabalho gráfico sempre compensar. A única livraria da minha cidade, apesar de ser de uma grande rede, nem apresenta esse tipo de livros :/

    Abraço, Guilherme! Beijo, Melina! Afago, Spock!

  7. Nathyane Caroline says:

    Muito massa, Gui. Na verdade, eu já tinha visto esse livro, com o meu professor nerd de Edição Gráfica (haha) e, é claro, fiquei mexendo nele. Achei muito interessante, de cara, a produção do livro. Quem sabe ele não entra para a minha lista de “desejados”, após a sua publicação? ^^

    Beijo!

  8. Gabriela says:

    Tenho quase certeza que te vi hoje! :D
    De camiseta vermelha, entrando num prédio na Sete de Setembro, hahaha
    Se não era você, era muuuito parecido!
    Gostei da resenha! :)

  9. Andressa Magoni says:

    “A história é muito simples…”? Ao contrário! A história é cheia de complexidade. Só se você for o futuro Einstein, para dizer que a história é simples.

  10. Aline Castro says:

    Oieee, confesso q a capa do livro, a gráfica, tudo me chamou mtooo a atenção, no entanto pelo fato d ser meio confusa me desmotivou um pouco, enfimmmm, gostei bastante do modo q tu expôs o livro, foi bem crítico e sincero, bacana encontrar alguém q transpareca isso..
    Ps.: Também gosto d rever os livros, faço isso com meus diários, tipo qnd tinha uns, sl, 6 anos.. e tão reimaginar o seu ponto d vista qnd éramos menor..

  11. Juci says:

    Também terminei Jimmy Corrigan recentemente e tenho uma opinião bem parecida: amei o projeto gráfico, mas a história deixou bastante a desejar…

  12. Marijleite says:

    Peculiar, diferente parecem palavras boas para descrever esse livro.
    Já li um livro que tinha algumas coisas semelhantes com o que você descreveu na resenha; algumas vezes esses recursos utilizados pelo autor dão certo, outras vezes não.
    No livro que li, não funcionou pra mim. Quando comecei a ler sua resenha, já lembrei dessa minha leitura.


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