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Os Filhos da Noite (Dennis Lehane)

9.06.2014

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Muita gente não sabe, mas eu sou fã do gênero “romance policial”. Em 2008 li o excelente A Promessa do Livreiro, escrito pelo John Dunning. Na época, comprei porque achei o título interessante e gostei do projeto gráfico (tanto a lombada como as laterais são azuis); foi assim que descobri que gosto desse tipo de história.

Os Filhos da Noite, como todo bom livro, é difícil de largar. A leitura flui, é prazerosa, e você não se desanima com o tamanho dele (respeitáveis 475 páginas de história).

A história se passa entre 1926 e 1935, nos Estados Unidos, quando gangsters faziam de tudo para driblar a Lei Seca (que proibia a produção, o transporte e a venda de bebidas alcoólicas no país) e manter negócios que movimentavam milhares de dólares. Subornos, assassinatos, sequestros e tortura faziam parte do jogo.

Como acontece nas histórias de Dexter Morgan, o protagonista não é exatamente um “herói”: Joe Coughlin começou com pequenos delitos na infância, e, quando começamos a acompanhar a história dele, os crimes já não são tão leves. Mesmo assim, ele é carismático, tem um certo “senso de justiça” e consegue conquistar o apoio do leitor (não que eu apoie crimes, mas poxa, é um livro de ficção! Hehehe)

Ao longo da história acontece uma série de reviravoltas, e tem vários momentos em que é realmente difícil parar de ler. O autor não “poupa” ninguém (muito menos o próprio Joe), e pelo visto traduz muito bem o tipo de violência que ocorria no submundo dos gangsters daquela época – mas não se preocupem, que o livro não chega a ser “pesado demais”.

Adorei Os Filhos da Noite em todos os aspectos: enredo, estilo de escrita, projeto gráfico (uma bela escolha da Companhia, que acaba se destacando de outros livros graças às laterais coloridas)… Me senti tenso, aliviado, feliz, triste junto com os personagens.

Recomendo, sem dúvida!

ISBN 9788535923445 Editora Companhia das Letras Nota 5/5 Páginas 480

Aperitivos

“Alguns anos mais tarde, a bordo de um rebocador no golfo do México, os pés de Joe Coughlin foram mergulhados em uma banheira de cimento. Doze atiradores esperavam a embarcação se distanciar o suficiente da costa para jogá-lo no mar eenquanto ele escutava o resfolegar do motor e via a água revirada embranquecer na popa. Ocorreu-lhe então que quase todas as coisas dignas de nota que haviam acontecido em sua vida – fossem boas ou ruins – tinham sido postas em movimento naquela manhã em que seu caminho cruzara pela primeira vez com o de Emma Gould.”

(p. 11)

“Joe e os irmãos Bartolo usavam chapéus bem enterrados na cabeça para esconder os olhos, e lenços pretos lhes cobriam a metade inferior do rosto. Uma sorte,, pois se alguém daquela sala os reconhecesse lhes restaria mais ou menos metade de um dia de vida.
Brincadeira de criança, tinha dito Tim Hickey. Ataquem no amanhecer, quando não vai haver mais ninguém lá a não ser um par de imbecis contando dinheiro.
E não cinco capangas armados jogando pôquer.”

(p. 12)

“Brenny Loomis cravou os olhos nos de Joe.. ‘Quando tudo isso terminar, moleque, vou procurar sua mãe. Vou sugerir um belo terno escuro para o seu caixão.’
Ex-boxeador da Associação de Mecânicos e sparring de Mean Mo Mullis, Loomis era famoso por ter um soco igual a um saco de bolas de bilhar. Matava gente a mando de Albert White. Não como ganha-pão nem de forma exclusiva, mas dizia-se que, caso algum dia a ocupação viesse a se tornar um cargo em tempo integral, ele queria que Albert soubesse que tinha primazia por tempo de serviço.

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Por

Gui

  1. Lig says:

    Amo livros desse gênero, os meus prefeidos são os da Agatha Christie! Recomendo, ela foi uma autora renomada, e trato minha coleção que herdei de minha vó como se fossem tesouros!

  2. ananda says:

    Olha so, boa indicação. Gosto muio de romance policial tambem, mas acho dificil encontrar um que seja realmente bom.
    (Leu “O chamado do Cuco”? Achei que a J. K. Rowling mandou bem nesse estilo tambem.)

  3. Melyssa says:

    Oi, Mel (me chamam de Mel também)
    Eu adoro romance policial, um mistério… Já leu algo da Agatha Christie? Se sim, qual?
    xoxo :)
    http://invasoresliterarios.blogspot.com.br/

  4. Sou apaixonada por livros policiais desde que li “Resgate de Amor”, de Carlos Augusto Segato. “Filhos da Noite”, pelo que você contou, parece ser bem interessante. Mas meu livro preferido desse gênero sempre será Equinox, do Michael White! <3
    Beijos || Unlocked Land ❤

  5. Livros policiais não é um gênero que costuma me prender, embora eu admire muito as reviravoltas e as boas jogadas de mestre que só livros assim possuem.

    Beijos,
    Cenas do meu livro de memórias | Fanpage do Blog

  6. Vanessa says:

    Esse é o mesmo autor de “Sobre meninos e lobos” né!? Bom autor, nunca procurei nada sobre a obra dele mas esse livro e memorável.

  7. Luana says:

    Nossa, já desejando ler! Me lembrou 2 livros, Belle (Lesley Pearce) e O Interrogatório (Roderick Anscombe) e sério, vc TEM que ler esses 2, principalmente o segundo, vc vai amar Gui! Dá pelomenos uma olhada em resenhas pela net pra ver se atraem, não tem como não querer ler

  8. João Carlos says:

    cara suas resenhas são muito bem elaboradas, os aperitivos atiçam ainda mais a vontade de devorar o livro tipo você indica e eles confirmam, o problema é arrumar grana pra comprar tantos livros :P

  9. Luciana Travassos says:

    Sou louca pelo gênero policial e tenho uma queda especial quando a trama envolve mafiosos, nem sei quantas vezes assisti a trilogia O Poderoso Chefão, também devorei o livro do Mario Puzo, filmes como Donnie Brasco, Os Bons Companheiros e outros do gênero me deixam sem dormir, apavorada mas não resisto é mais forte que o meu medo.
    Muito boa a indicação, já vai pra minha lista, adoro suas resenhas.
    Beijos

  10. Não tem coisa melhor que ler um livro pelo qual você não dava nada e amar <3 Por isso sempre dou uma chance, se você não tivesse lido aquele em 2008 perderia muita coisa. Enfim, achei a história bem interessante e pretendo comprar. Nunca li nada desse estilo, mas muitos dos livros que tenho lido são os que tu indica, portanto, darei uma chance c:


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