Livros são amor

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17. Fev. 2015

Volta às aulas: livros para ler sem atrapalhar os estudos

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Já fiz um post seis dicas para ajudar na volta às aulas e no final dele indiquei dois livros para ler sem atrapalhar os estudos. Com a quantidade de trabalhos, provas e materiais para ler, muitas vezes acabamos deixando os livros de lado e, pensando nisso, resolvi gravar um vídeo indicando mais alguns livros leves para quem quer continuar lendo sem atrapalhar os estudos.

Resenhas dos livros citados: A música que mudou minha vida | Penelope | Malas Memórias e Marshmallows | O verão que mudou minha vida.

Espero que tenham gostado das dicas e que eles ajudem vocês a relaxar nos tempos livres. Quais livros vocês indicariam?

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Obrigada por tudo, pessoal!

xoxo

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11. Fev. 2015

Caninos em Família (Kevin Wilson)

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Quando vi esse (então) lançamento da Companhia das Letras, resolvi ignorar o velho e surrado conselho “não julgue um livro pela capa”: gostei dela, achei o título curioso, e pedi um exemplar, mesmo sem ter lido direito a sinopse.

Valeu cada minuto de leitura.

Saber o mínimo possível sobre a história me ajudou a focar no estilo do autor e na vontade de descobrir logo o que acontece na sequência – por isso não vou dar muitos detalhes do enredo aqui, e, se alguém quiser mais detalhes, é só dar uma olhada na sinopse publicada pela editora.

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Vidas de arte

Em resumo, o livro conta a história da família Caninus: um casal (Caleb e Camille) e dois filhos (Annie e Buster).

Excêntricos, Caleb e Camille vivem para a arte, adoram o inusitado e o caos que suas “apresentações” (feitas fora dos palcos e das telas, sem que o público saiba do que se trata) provocam. De início, faziam tudo sozinhos; quando os filhos vieram, acabaram entrando no turbilhão artístico.

Depois de adultos, Annie e Buster seguiram adiante com suas vidas (ela virou atriz profissional, e ele, jornalista e escritor), mas, de alguma forma, foram levados a morar novamente com os pais, que nunca pararam com seus… “happenings artísticos”.

Sem mais detalhes, adianto: os personagens são, cada um a sua maneira, extremamente carismáticos, e é difícil não se importar com eles, com suas aspirações e com os problemas que vão aparecendo em suas vidas. O autor, que consegue fazer rir sem forçar a barra, como se estivesse sentado com você em uma mesa de bar, contando histórias, deu um jeito de criar algo memorável – da mesma forma que Caleb e Camille fazem.

O livro alterna entre passado e presente, narrando apresentações dos Caninus e o que eles estão fazendo agora (mesmo excêntricos, são tão bem construídos que poderiam muito bem existir de verdade, fora do romance). Às vezes a quebra na narrativa pode cansar ou frustrar o leitor, que fica curioso pra saber como a trama se desenrola, mas ao mesmo tempo é um elemento que torna o livro especial.

Como já é de praxe, não preciso falar que o projeto gráfico é excelente… mas falo mesmo assim (rá!), por garantia: ótima diagramação, verniz localizado de forma “exótica” na capa (surpreendente, como a própria Família Caninus), papel e fonte que favorecem a leitura… E uma tradução muito bem feita – não comparei com o original em inglês, mas senti que o texto fluia muito bem.

Teve dias em que eu ficava frustrado por não ter tempo de ler, e mesmo alguns minutos, que só permitiam apreciar poucas páginas, eram muito bem vindos.

O final é inesperado e a única frustração foi a de, bem… o livro ter acabado – aquela contradição que os leitores vivem diante de um bom livro (querem chegar ao fim, mas não querem que o livro acabe).

Parece que vão lançar um filme baseado em Caninos em Família. Antes disso, claro, recomendo fortemente que vocês leiam o livro, e torço pra que se divirtam tanto quanto eu!

Em tempo: o livro tem alguns palavrões, que acabam deixando a narrativa mais “natural”, mas podem chocar quem não está acostumado.

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ISBN 9788535924084 Editora Companhia das Letras Nota 5/5 Páginas 386

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Aperitivos

“Buster estava no meio de uma área descampada, no Nebraska, e o frio era tão intenso que a cerveja congelava nas latinhas que ele entornava goela abaixo. A seu redor viam-se alguns veteranos chegados do Iraque fazia um ano. Eram jovens, exibiam uma alegria estranha, e sua invencibilidade ficara cientificamente comprovada depois de várias temporadas servindo o Exército no Oriente Médio. Dispostos sobre tiras de lona plástica, viam-se alguns artefatos que guardavam uma semelhança cômica com canhões – grandalhões e desajeitados e insinuando toda sorte de destruição. (…)”

(p. 29)

“Estava na hora de tirar férias, por isso cada um deles tinha a sua carteira de identidade falsa. Os Caninus haviam sido contemplados com uma prestigiosa subvenção cultural, mais de trezendos mil dólares, e a ideia era celebrar: as identidades falsas espalhadas sobre a mesa. Caleb e Camille seriam Ronnie Payne e Grace Truman. As crianças puderam escolher seus próprios nomes. Annie seria Clara Bow; Buster, Nick Fury. Como recompensa pela encenação, os pais tinham prometido a Annie e Buster que não haveria intervenções artísticas durante os quatro dias que eles passariam na praia, nada além de uma família normal tostando sob o sol, comprando quinquilharias feitas de conchinhas do mar e se empaturrando com petiscos fritos em baldes de óleo ou embebidos em chocolate ou ambas as coisas.”

(p. 50)

“O restante do voo foi marcado por um mal-estar tão grande, um clima tão tenso que, se o avião caísse, era bem possível que os passageiros comemorassem a oportunidade de se esquivar do constrangimento com o acontecido.”

(p. 57)

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