Seu texto no blog

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28. Set. 2012

seu texto no blog

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Chegou a hora de publicar os 3 textos da primeira edição do Seu Texto no Blog. Antes de mostrá-los quero agradecer a todos que enviaram textos inspirados na foto (recebi 96). Foi muito difícil escolher apenas 3, mas infelizmente não tem como postar mais do que isso pro post não ficar gigante (como eu não limitei caracteres alguns ficaram bem grandinhos). Por favor não quero que as pessoas que não tiveram o texto selecionado fiquem tristes. Eu gostei de MUITOS mesmo e por isso, antes de lançar o segundo tema, vou publicar mais alguns dos textos de vocês aqui no blog ;)

♥ Carol Thomazini (chuchu, você não passou nenhum link)

Vem escondidinho

Como quem não quer nada

Chega de mansinho

Para acalmar esta madrugada

Traz carinhos e calor

Esquece a chuva lá fora

Tem café e cobertor

Vem

Não perca a hora

O vento assovia para te guiar

Escute!

Está na hora de se entregar

Amenize a dor

Venha, meu amor

Vem manhoso

Vem sorrateiro

Vem subentendido

Vem

Fica comigo?

♥ Marina Vasconcelos (twitter, facebook)

Ao quebrar do relógio

Naquela tarde de sábado, o cheiro de chocolate pairava no apartamento. Luísa mal podia esperar para por em prática seu lado de chef, principalmente para esquecer a semana turbulenta que tivera. Concentrada, prendeu seus cabelos num rabo de cavalo, como se também quisesse deixar para trás a pouca experiência com culinária e as lágrimas do dia anterior.  Meses se amontoavam no passado e Luísa não conseguia acreditar que passaria mais um mês afastada de seu namorado. Depois de tantas discussões sem sentido ao telefone, Lucas decidira passar mais quatro semanas fora de casa. Luísa não suportava pensar em quanto tempo estivera completamente só. Olhar para o relógio e perceber quanto tempo passou e o quanto ainda estava por vir era um pouco cruel.

Formas, massas, ingredientes e sabores formavam uma adorável bagunça que a própria cozinheira mal conseguia se encontrar. Com tantos erros durante a semana, talvez Luísa não suportasse se até sua receita não desse certo. Depois de colocar o bolo no forno, acrescentou à bagunça seu delicado relógio de pulso para certificar a hora certa de retirar sua receita do forno. Colocou-o em cima de seu avental que nunca fora usado e, sem se dar conta, formou um cenário delicado que escondia certa tristeza por trás de todos os amáveis apetrechos coloridos da cozinha. Enquanto lavava as panelas e as hastes da batedeira, o telefone cantou uma melodia animada que fez com que Luísa se assustasse. Ao sair da cozinha, sua blusa arrastou o avental, derrubando o relógio.

Os ponteiros, por mais que quisessem, não conseguiam sair do lugar. Luísa olhava atordoada para a cena, enquanto o telefone não se cansava de gritar por sua atenção. Ela permanecia imóvel, agora sem conseguir conter suas lágrimas. Luísa agia como se o relógio parado no chão pudesse fazer com que o tempo retrocedesse, fazendo com que Lucas não aceitasse prolongar a viagem. Luísa se via sorrindo ao telefone, imaginando uma situação de uma realidade paralela em que eles combinavam a hora do encontro no aeroporto. Fechou os olhos com força para que as imagens em sua mente se tornassem mais nítidas, mas depois de se conformar que não conseguiria fazer o tempo voltar com sua mente ou suas mãos, concentrou-se em retirar o bolo do forno, apanhar o relógio quebrado e verificar seu celular. O visor acusava uma chamada perdida e uma mensagem que fez com que todo o devaneio de Luísa parecesse real ou valesse a pena: “Amor, adiaram minha viagem pro semestre que vem. Tô voltando pra casa. Quando eu chegar a gente conversa.” Desajeitada, ela sorriu e se esforçou para responder: “Tá certo. Fiz bolo de chocolate pra gente… Tô te esperando

♥ Gabriela Biasi dos Santos (blog/facebook)

Folhas Secas

A rua estava úmida e no ar, aquele cheiro de terra molhada. Tudo típico de um dia chuvoso. Tínhamos combinado de nos encontrar às 15 h e eram 14:30, eu ainda tinha tempo.

Saí andando, pulando discretamente nas poças como fazia quando criança. Antes a preocupação era só o resfriado, agora, eu perderia o sapato, o salto, a pose, a decência e molharia a barra da calça caríssima, além de poder ficar doente. Parei. Continuei o trajeto caminhando lentamente, analisando cada passo, cada folha, cada gota d’água que caia no chão e no meu casaco, deixando pequenas manchas que logo secariam. O parque estava vazio – pessoas normais não vão ao parque enquanto chove -, mas ele estava lá, parado. A capa amarela e as galochas azuis ficavam estranhas, quase cômicas, mas eu já havia me acostumado a sua constante falta de estilo. No fundo, eu até achava charmoso.

Como sempre, meus olhos pretos sorriram antes da minha boca carmim, mas os dele não. Nem os olhos, nem a boca. Ele tinha acabado de chegar de viagem, não entendi o que realmente acontecia. Antes de ele ir, tudo estava bem. Bom, bem talvez não, mas tudo estava indo como mandava o figurino.

Não houve discussão. Sequer houve uma explicação. Eu não supliquei, e eu sei que ele não esperava isso. Mesmo que esperasse, não iria ceder aos meus pedidos desesperados para que ele não fosse embora.

Não se pode forçar alguém a te amar, nem se pode pedir um motivo para quando essa pessoa deixa de te amar. As coisas acontecem assim: quando acabam, acabam. E, na maioria das vezes, nem existe um motivo, somente um abrir de olhos para a realidade e um entendimento para o que estava acontecendo até o momento.

Ele virou as costas e eu fiquei ali, parada. Não esperava uma explicação dele, mas eu queria entender o que estava acontecendo. Talvez, enquanto andava pela avenida quase sem movimento com aquela capa amarela e galochas azuis que agora pareciam ridículas, ele estivesse a caminho do motivo por me deixar. Ou não.

Pensando bem, já não combinava mais nós dois de mãos dadas pela rua. Era estranho o modo como aquilo passara a ser vergonhoso, para as duas partes. Nos isolávamos um do outro, éramos fechados, como “companheiros” que se procuram para os momentos bons mas que não tem confiança suficiente para contar um segredo.

A minha insistência foi porque achei que a culpa era minha e, por isso, eu era a encarregada de resgatar o nosso amor. Mas nós fomos nos dissipando, nos afastando com o tempo, com as viagens dele, com os meus compromissos, os meus quadros, os meus projetos, os meus artigos, os meus livros, e não havia mais tempo na vida de nenhum de nós dois. Efeito reverso do amor.

Agora, tudo não passa de sentimentos a serem esquecidos, superados, deixados para trás, como folhas secas pelo chão nas frias tardes de Outono.

Pessoal, nesse post abri uma exceção e  vou explicar o motivo. Eu gostei muito de dois textos que recebi (da minha prima e de um amigo), mas algumas pessoas poderiam achar injusto eu ter selecionado os textos deles (pelos motivos nos parenteses anteriores) então decidi colocar esses dois como “extra” no post ;)

♥ Daniel Granatto (blog)

Sobre um relógio

Era um relógio de bolso, prateado, antigo, com cheiro de café e bolo de fubá da casa da vó, com contornos de antiguidade bem preservada. Bom, pelo menos era assim que ela o via, carinhosamente e com apego. Na versão menos romantizada das coisas, era apenas um pequeno relógio de bolso que tinha sido achado no meio das coisas de uma tia-avó distante que mal havia conhecido e que havia falecido recentemente. Logo, no meio de uma caixa grande com objetos dessa tia, entre roupas, colônia de alfazema, escova de madrepérola, botões e outras quinquilharias mais, estava ele lá, esse pequeno responsável fiscal das horas, dançando no bolor do tempo, meio gasto, meio amado, meio esquecido, meio atingido pelo tempo, meio esperando ser resgatado e quiçá ter alguma utilidade p´ra alguém.

Não havia motivo aparente para que ela tenha se sentido tão atraída por aquele pequeno objeto, sem maior valor aparente a olhos nus, mas como a própria vida é uma constante de atos e sentimentos que nascem, mexem-se e remexem-se e morrem sem aparente motivo cristalizado, era assim que ela sentia e pronto. E assim que o viu e perguntou para sua mãe se poderia se apossar dele e tal graça lhe foi concedida, prontamente meteu-o no bolso, fechou a porta do quarto, pulou na cama, tirou seu pequeno regalo do bolso e pôs-se a admirá-lo como se de ouro fosse, como se falasse com ela no seu mais íntimo ser. E assim tudo se pôs no lugar.

Ia com ele para escola, para o parque, tomar sorvete, ao cinema, à padaria do seu Pedro. E como que por mágica, quando precisava que as horas passassem depressa, como quando ia ao dentista ou tinha uma aula deveras enfadonha para assistir, punha a sua mão dentro do bolso, segurava-o forte e como que por mágica, tudo corria veloz e passava rápido. Ao passo que quando se tratava de alguma situação (pizza! cinema! pessoas queridas por perto!) que desejava ardentemente que os segundos se arrastassem como caramujos entorpecidos por calmantes, agarrava-o em seu bolso da mesma forma, e parecia que tudo entrava num estado de leveza, torpor e transe, onde podia desfrutar cada instante como se fossem séculos de prazer que tardariam muito e muito a terminar.

E foi assim que num desses dias calmos de domingo, enquanto escutava um disco de música francesa de sua mãe em sua vitrola, deitou-se na cama, esticou as pernas e os dedos do pé, pegou sua máquina fotográfica e resolveu tirar uma foto dele, desse seu amigo de metal, caduco para os tempos modernos, onde as horas são comumente consultadas por meio de telefones celulares escandalosos e berrantes. Porém, era inestimável. Nenhum advento de tela de cristal líquido e de conexões por milissegundos conseguia a magia de fazer o tempo correr ou ser vagarosamente gostoso quando ela bem entendia. E assim, amava-o. E assim, vivia com ele como se seu talismã e companheiro fosse, esquecendo que seu telefone celular também mostrava as horas. E era considerada esquisita entre os amigos por puxar aquele relógio sempre que queria ver o que os ponteiros ap(r)ontavam. E assim era feliz.

♥ Camila Lisboa (blog)

Sutilezas do tempo

“Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: As vezes apenas um segundo.”

(Lewis Carroll – Alice no País das Maravilhas)

 Como olhar para esse lindo relógio e não lembrar o coelho mais querido das histórias infantis? Vivemos correndo para um lado e para o outro, sempre atrasados e muitas vezes perdidos, como Alice. Relógio de corda, de bolso…? Ninguém tem tempo para isso! A velocidade dos tempos modernos roubou até o charme estético de uma peça sutil, com a da fotografia acima… Os relógios hoje contam os passos, a frequência cardíaca, a quilometragem percorrida, as calorias gastas: afinal, não se pode perder tempo fazendo cálculos manuais. Tudo tem que ser acima de tudo prático e rápido! O som do coo-coo foi trocado por um irritante alarme que faz as pessoas pularem da cama, no susto, para iniciar mais um dia corrido.

Aí reflito sobre a famosa frase do coelho, transcrita acima, e penso no valor que damos ao nosso tempo. Estamos correndo? Existe um momento reservado na agenda para cuidar de si, estarmos próximos das pessoas queridas e contemplar belas paisagens? Ou a correria da vida é uma eterna desculpa para vivermos alheios do essencial? Prefiro pensar em tornar eternos segundos preciosos, do que viver uma eternidade com a sensação de que ela se passou na velocidade de um segundo…

Espero que tenham gostado dos textos tanto quanto eu :)

Obrigada por tudo, pessoal!

xoxo

06. Set. 2012

Seu texto no blog

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Vocês não imaginam o quanto fiquei feliz quando vi os comentários no post anterior! Bom, para não perder tempo, resolvi já lançar o post com a foto do mês e com as “regrinhas” para participar.

A foto que escolhi para “inaugurar” essa nova categoria do blog é essa que tirei no começo do ano passado para o projeto (365) Days Of Honey. Eu tenho um carinho muito especial por ela e me lembro muito bem de como estava o dia e do momento em que tirei ela.

Agora que vocês já sabem qual é a foto-inspiração, vou falar quais são as “regras” pra participar:

  1. Cada pessoa pode enviar apenas um texto para o e-mail seutextonoblog.asos@gmail.com;
  2. O tipo de texto é livre. Pode ser crônica, poema, narração…como você se sentir confortável para escrever;
  3. Não vou colocar limite de caracteres, mas por favor tentem não fazer textos muito longos para que eu possa publicar mais de um no post ;)
  4. Cuidado com a escrita para não ter erros de português;
  5. Os textos podem ser enviados até o dia 21/09 e o post será publicado no dia 28/09.

Ah, por favor enviem os seus textos anexados em arquivos de texto (.txt, .doc. ou .rtf), certo? Assim não há risco de chegar desconfigurado no meu e-mail. E também lembrem-se de colocar as suas redes sociais para eu poder divulgar caso o seu texto seja publicado ;)

Qualquer dúvida é só deixar aqui nos comentários, que eu respondo!

xoxo

ps: acabei deixando “seu texto no blog”, mas quero agradecer a todos pelas sugestões bem legais de nomes ;)

05. Set. 2012

Seu texto no blog!

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Pessoal, lembram que eu tinha falado que estava planejando uma forma dos leitores que são bons com palavras participarem do blog? Então, e minha ideia é a seguinte: todo mês escolher uma foto de minha autoria e pedir para que vocês escrevam textos inspirados nela, ou seja, textos para “ilustrar” a foto! O que mais me deixou animada nessa ideia é que eu vou poder ver (e mostrar aqui no blog) como uma foto pode inspirar as pessoas de diferentes formas, sabe?

A princípio selecionarei até 3 textos para serem publicados aqui junto com as redes sociais dos autores, o que vocês acham? Se vocês toparem já seleciono a primeira foto e dou mais detalhes de como vai funcionar ;)

Obrigada por tudo, pessoal!

xoxo

ps: se alguém tiver uma ideia melhor de nome pra categoria ao invés de “Seu texto no blog” pode deixar nos comentários ;)