Companhia das Letras

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30. Jan. 2015

Ilha do Medo (Dennis Lehane)

Arquivado em: Livros são amor

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Depois de terminar o excelente Os Filhos da Noite, eu TINHA que ler outra obra do autor. Sem pensar demais, pedi à Companhia das Letras o Ilha do Medo (que antigamente era publicado como Paciente 67, mas que hoje leva o título da adaptação para o cinema).

Li.

Adorei.

E agora vou contar o porquê.

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Nuvem de suspeitas

Em Ilha do Medo, o leitor acompanha Teddy Daniels, um xerife encarregado de investigar a fuga de uma paciente do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, onde são tratados criminosos perigosos – a própria Rachel foi acusada de matar seus três filhos pequenos, numa espécie de surto psicótico.

Teddy conta apenas com um aliado, seu parceiro de investigação, Chuck Aule, e percebe que, se quiser resolver o caso, vai ter que passar por uma série de mentiras orquestradas pela administração do hospital.

De início, a trama é simples, uma investigação policial que poderia caber em um episódio de CSI ou outra série do tipo, mas aos poucos o leitor começa, da mesma forma que Teddy, a ficar intoxicado com o ambiente da ilha, com seus pacientes perigosos e funcionários que levantam, mesmo sem querer, todo tipo de suspeita.

Lehane não tem a menor dificuldade em prender o leitor, pois criou dois protagonistas envolventes (Teddy é durão, mas carrega feridas, e você torce o tempo todo por ele; já Chuck é espirituoso, leal, e, como Teddy aponta mais de uma vez, inspira confiança) e tem um estilo narrativo em que cada parágrafo cumpre seu papel, seja avançando diretamente a história, seja construindo seus personagens.

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Nem preciso dizer (mas digo assim mesmo hehehe) que a diagramação é excelente, com fontes e espaçamentos que deixam a leitura confortável. A capa, apesar de ser basicamente o cartaz do filme baseado no livro (não gosto muito quando fazem isso), é bonita, e combina com a trama. Senti um pouco de falta das “orelhas” para proteger o livro, mas isso não chegou a atrapalhar a leitura. A tradução também é excelente.

Ilha do Medo, infelizmente, é um alvo fácil pra quem gosta de soltar spoilers, porque tem revelações surpreendentes, e ouvir alguém contar estraga (pelo menos pra mim) boa parte da experiência. Se você conseguir ler esse livro (ou ver o filme) com “pureza”, sabendo só o básico do enredo, melhor. Se não… bom, ainda é um material excelente!

Além do filme, adaptaram a história para uma graphic novel – que pretendo ler um dia, com certeza.

E vocês? Já leram/assistiram Ilha do Medo? Gostam desse tipo de história, com suspense, drama etc.? Curtem “romance policial”? Digam nos comentários! :D

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ISBN 9788535916256 Editora Companhia das Letras Nota 5/5 Páginas 344

Aperitivos

“Dolores morrera havia dois anos, mas revivia à noite, nos sonhos dele. E às vezes, no alvorecer, Teddy passava minutos a fio pensando que ela estava na cozinha ou tomando café na sacada do apartamento em Buttonwood. Era uma cruel ilusão armada por sua mente, claro, mas havia muito tempo que Teddy se conformara com a lógica desse acontecimento – afinal de contas, acordar era como nascer. A gente emerge sem história. Depois, entre um piscar de olhos e um bocejo, reorganiza o passado, dispondo os fragmentos em ordem cronológica, reunindo forças para enfrentar o ambiente.”

(p. 29)

“O dr. Cawley era muito magro, quase esquelético. Não chegava a se parecer com os sacos de ossos e cartilagens que Teddy vira em Dachau, na Alemanha, mas com certeza estava precisando de umas boas refeições. Seus olhinhos pretos, muito fundos, emanavam uma atmosfera sombria que parecia se espalhar todo o rosto. Cawley tinha a pele crivada de cicatrizes de acne, e as faces tão escaveiradas que pareciam chupadas de dentro do corpo. Os lábios e o nariz eram tão finos como tudo o mais; e o queixo, exageradamente recuado, parecia não existir. O pouco que restava dos cabelos era preto como os olhos e as olheiras.

Não obstante, o dr. Cawley tinha um sorriso explosivo, animado, que transbordava uma confiança capaz de iluminar a íris – com esse sorriso ele os brindou naquele momento, enquanto dava a volta à escrivaninha para ir, de mão estendida, cumprimentá-los.

‘Xerife Daniels e xerife Aule’, ele disse. ‘Alegra-me que tenham conseguido vir tão prontamente.’
Sua mão, seca e lisa como a de uma estátua, apertou a de Teddy com tanta força que este sentiu a pressão subir pelo antebraço. De olhos brilhantes, Cawley o fitou por um instante, como a dizer: ‘Não esperava por isso, não é?’, e voltou-se em seguida para Chuck.”

(p. 44)

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11. Nov. 2014

A Arte da Procrastinação (John Perry)

Arquivado em: Livros são amor

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Como alguém que luta há anos com a tendência a deixar as coisas pra depois, fiquei bastante interessado nesse livro… mas percebi que não me identificava tanto com a proposta quando imaginei!

Seja como for, é uma leitura valiosa, e vai ajudar muita gente que sofre com a procrastinação, mas não quer (ou, talvez, não consegue) lidar com ela de forma mais rígida… e ao mesmo tempo não quer que isso atrapalhe sua vida e a dos outros!

Assista à resenha e divirta-se ;) e não se esqueça de deixar um comentário hehehe

ISBN 9788565530675 Editora Companhia das Letras Nota 3/5 Páginas 128

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30. Jun. 2014

Quando você a viu pela última vez? (Lemony Snicket e Seth)

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Olhem bem para a capa desse livro. Vejam que título… pouco convencional. Como não sentir vontade de ler? Bom, eu li, adorei, recomendo e vou contar a vocês o porquê.

Quando você a viu pela última vez? é o segundo livro da série Só Perguntas Erradas, escrita pelo Lemony Snicket e muito bem ilustrada pelo Seth.

No primeiro livro, o leitor acompanha o próprio Lemony na investigação do roubo da Fera Ressonante. Desta vez, ele e sua tutora, S. Theodora Markson, vão investigar o desaparecimento da srta. Cleo Knight, a química mais brilhante de Manchado pelo Mar.

Seguindo o mesmo estilo do anterior, Quando você a viu pela última vez? tem capítulos curtos, cada um como uma ilustração no início, narrativa ágil e humor sagaz. Os personagens são carismáticos (mesmo os “malas”, como a tutora, os policiais e o filho deles), e o tom levemente infantil deixa a leitura leve, o que é muito bom pra quem está dando um tempo nos livros mais, digamos… dramáticos.

Algumas das minhas últimas leituras tinham morte, violência, sexo etc. e Quando você a viu pela última vez? foi bom para tirar uma folga. É como assistir a uma comédia depois de ver vários suspenses e dramas: você se sente leve.

A diagramação (como já é típico da Companhia das Letras) é muito boa e favorece a leitura; e, como vocês podem ver nas fotos, o projeto gráfico é muito bonito. Por sinal, me inspirei nas ilustrações do Seth para o 110º desenho do meu One Sketch a Day. Não encontrei falhas de texto, e a tradução ficou excelente.

O final não chega a “explodir mentes”, mas tem boas reviravoltas (como o resto da história) e deixa você curioso pra ler o próximo livro da série.

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ISBN 9788565765220 Editora Companhia das Letras Nota 5/5 Páginas 268

Aperitivos

“– Aí está você, Snicket – Theodora me disse. – Estive procurando você por toda parte. É um caso de desaparecimento.
– Não é um caso de desaparecimento – eu disse pacientemente. – Eu disse a você que estaria no lobby.
– Não seja bobo – Theodora disse. – Você sabe que não presto muita atenção no que você diz pela manhã e, por isso, você deveria fazer os ajustes necessários. Se você estará em algum lugar pela manhã, me diga isso à tarde. Mas onde você está não vem ao caso. Pois esta manhã, Snicket, nós somos investigadores de paradeiro.”

(p. 17)

“Nós estávamos em um vilarejo chamado Manchado-pelo-mar, que não ficava mais à beira-mar e praticamente nem era mais um vilarejo. As ruas estavam tranquilas e muitos prédios estavam vazios, mas aqui e ali eu podia ver sinais de vida. Passamos pelo Faminto’s, um restaurante que eu ainda precisava conhecer, e vi pela janela a silhueta de diversas pessoas tomando café da manhã. Passamos pelo Comidas Incompletas, onde comprávamos nossos mantimentos, e vi um ou dois consumidores caminhando entre as prateleiras meio vazias.”

(p. 19/20)

“A torre em forma de caneta tinha uma porta surpreendentemente pequena, com um letreiro grande demais. As letras diziam TINTA S.A., e a campanhia tinha o formato de uma pequena mancha de tinta escura. Era o nome do maior negócio em Manchado-pelo-mar. Theodora estendeu o dedo coberto por uma luva e tocou a campainha seis vezes. Não havia uma campainha no mundo que Theodora não tocasse seis vezes quando visse.
– Por que você faz isso?
Minha tutora ajeitou a postura o mais alta possível e tirou o capacete para que seu cabelo a deixasse ainda mais alta.
– S. Theodora Markson não precisa explicar nada para ninguém – ela disse.
– O que o ‘S’ quer dizer? – perguntei.
– Silêncio – ela sussurou, e a porta se abriu para revelar dois rostos idênticos e um cheiro familiar.”

(p. 24/25)

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