Companhia das Letras

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30. Jun. 2014

Quando você a viu pela última vez? (Lemony Snicket e Seth)

Arquivado em: Livros são amor

Olhem bem para a capa desse livro. Vejam que título… pouco convencional. Como não sentir vontade de ler? Bom, eu li, adorei, recomendo e vou contar a vocês o porquê.

Quando você a viu pela última vez? é o segundo livro da série Só Perguntas Erradas, escrita pelo Lemony Snicket e muito bem ilustrada pelo Seth.

No primeiro livro, o leitor acompanha o próprio Lemony na investigação do roubo da Fera Ressonante. Desta vez, ele e sua tutora, S. Theodora Markson, vão investigar o desaparecimento da srta. Cleo Knight, a química mais brilhante de Manchado pelo Mar.

Seguindo o mesmo estilo do anterior, Quando você a viu pela última vez? tem capítulos curtos, cada um como uma ilustração no início, narrativa ágil e humor sagaz. Os personagens são carismáticos (mesmo os “malas”, como a tutora, os policiais e o filho deles), e o tom levemente infantil deixa a leitura leve, o que é muito bom pra quem está dando um tempo nos livros mais, digamos… dramáticos.

Algumas das minhas últimas leituras tinham morte, violência, sexo etc. e Quando você a viu pela última vez? foi bom para tirar uma folga. É como assistir a uma comédia depois de ver vários suspenses e dramas: você se sente leve.

A diagramação (como já é típico da Companhia das Letras) é muito boa e favorece a leitura; e, como vocês podem ver nas fotos, o projeto gráfico é muito bonito. Por sinal, me inspirei nas ilustrações do Seth para o 110º desenho do meu One Sketch a Day. Não encontrei falhas de texto, e a tradução ficou excelente.

O final não chega a “explodir mentes”, mas tem boas reviravoltas (como o resto da história) e deixa você curioso pra ler o próximo livro da série.

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ISBN 9788565765220 Editora Companhia das Letras Nota 5/5 Páginas 268

Aperitivos

“– Aí está você, Snicket – Theodora me disse. – Estive procurando você por toda parte. É um caso de desaparecimento.
– Não é um caso de desaparecimento – eu disse pacientemente. – Eu disse a você que estaria no lobby.
– Não seja bobo – Theodora disse. – Você sabe que não presto muita atenção no que você diz pela manhã e, por isso, você deveria fazer os ajustes necessários. Se você estará em algum lugar pela manhã, me diga isso à tarde. Mas onde você está não vem ao caso. Pois esta manhã, Snicket, nós somos investigadores de paradeiro.”

(p. 17)

“Nós estávamos em um vilarejo chamado Manchado-pelo-mar, que não ficava mais à beira-mar e praticamente nem era mais um vilarejo. As ruas estavam tranquilas e muitos prédios estavam vazios, mas aqui e ali eu podia ver sinais de vida. Passamos pelo Faminto’s, um restaurante que eu ainda precisava conhecer, e vi pela janela a silhueta de diversas pessoas tomando café da manhã. Passamos pelo Comidas Incompletas, onde comprávamos nossos mantimentos, e vi um ou dois consumidores caminhando entre as prateleiras meio vazias.”

(p. 19/20)

“A torre em forma de caneta tinha uma porta surpreendentemente pequena, com um letreiro grande demais. As letras diziam TINTA S.A., e a campanhia tinha o formato de uma pequena mancha de tinta escura. Era o nome do maior negócio em Manchado-pelo-mar. Theodora estendeu o dedo coberto por uma luva e tocou a campainha seis vezes. Não havia uma campainha no mundo que Theodora não tocasse seis vezes quando visse.
– Por que você faz isso?
Minha tutora ajeitou a postura o mais alta possível e tirou o capacete para que seu cabelo a deixasse ainda mais alta.
– S. Theodora Markson não precisa explicar nada para ninguém – ela disse.
– O que o ‘S’ quer dizer? – perguntei.
– Silêncio – ela sussurou, e a porta se abriu para revelar dois rostos idênticos e um cheiro familiar.”

(p. 24/25)

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28. Mar. 2014

O diabo dos números (Hans Magnus Enzensberger)

Arquivado em: Livros são amor

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Sempre fui uma negação em matemática, e não tenho vergonha de admitir isso, porque não foi por falta de esforço: eu estudava, fazia todos os exercícios, prestava atenção nas aulas, repetia cálculos várias vezes, e mesmo assim agradecia a Deus porque, um dia, eu faria faculdade de Jornalismo e teria que me preocupar com matemática básica, não com funções de segundo grau, logaritmos, matrizes…

Dito isso, gostei de O diabo dos números antes mesmo de começar a leitura. “Um livro de cabeceira para todos aqueles que têm medo de matemática” seria muito bem-vindo para alguém que, como eu, já tirou zero em uma prova dessa disciplina infernal (em minha defesa, digo que foi o único zero que já tirei em toda a minha vida escolar)…

A história é muito simples: Robert, um jovem estudante que não gosta de matemática (principalmente porque seu professor, o Sr. Brockel, não faz o menor esforço para deixar a matéria mais amigável), começa a receber em sonho visitas de Teplotaxl, um “diabo dos números” – digo “um” e não “o” porque, apesar do título, existem outros “diabos dos números”. Em treze noites, Teplotaxl mostra a Robert vários segredos dos números, aproveitando a flexibilidade do mundo dos sonhos para conjurar calculadoras, cocos, blocos eletrônicos e coelhos, escrever números no ar e na água…

Há diversas ilustrações espalhadas pelo livro, que ajudam a imaginar as cenas e visualizar melhor as lições do diabo dos números.

O ar de “fábula” ajuda a leitura a fluir, e o fato de ser uma espécie de “aula” (muito interessante, vale dizer), em que o protagonista aprende, faz você se sentir parte da história, como se estivesse vendo os malabarismos de Teplotaxl – que começa meio hostil, mas que pouco a pouco se torna amigo de Robert (e do leitor). Lúdico sem ser “infantil”.

Aparentemente, a diagramação original (o livro foi lançado em 1997) foi mantida, com desenhos de diversos tamanhos nos cantos ou no meio das páginas. Fica um pouco estranho, mas não chega a atrapalhar. Ah, e os desenhos são bem legais! Gostei da simplicidade deles.

Não me tornei um amante da matemática, nem decorei fórmulas ou macetes, mas com certeza ganhei familiaridade com os números. E se você, ao contrário de mim, ama/adora/gosta de matemática, também vai curtir o livro!

Obrigado pela atenção, e até o próximo post!

ISBN 9788517647183 Editora Companhia das Letras Nota 5/5 Páginas 268

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14. Jan. 2014

Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo (Chris Ware)

Arquivado em: Livros são amor

Eu tinha várias expectativas em relação a esse livro, e apenas metade delas foi cumprida.

Talvez não fosse o momento certo para eu ler a história de Jimmy, mas, de qualquer forma, quero contar a vocês como foi!

Jimmy precisa de VOCÊ

O livro surpreende logo de cara, com um projeto gráfico curioso, em que longas sequências de quadrinhos minúsculos se misturam com diagramas, desenhos para recortar (mas que você não é maluco de cortar) e páginas que lembram provas do ensino médio – mas que, na verdade, explicam alguns elementos da narrativa, com uma letra minúscula, como as de bulas de remédio.

Na capa (e no próprio título), você já nota o sarcasmo do autor, que se refere ao livro como “uma réplica a cores em tamanho real do desvio cultural de 2000 d.C. tomado por um editor, de resto perfeitamente confiável, que foi tapeado a crer que obras literárias em figuras poderiam de fato render uma grana”. Além disso, o protagonista não parece “o menino mais esperto do mundo”…

Na quarta capa, a brincadeira continua, com uma historinha mostrando as aventuras de um exemplar do livro, que sai da China, chega nos Estados Unidos, fica encalhado numa livraria e é “resgatado”, junto com outros, pelo autor. Mais uma brincadeira, já que Jimmy Corrigan ganhou vários prêmios e teve boas vendas lá fora – e aqui também, imagino!

Chris Ware, o autor, faz um apelo, ao final dessa pequena narrativa: “A cada 12 ½ minutos, alguém, em algum lugar, joga fora seu exemplar de Jimmy Corrigan, o menino mais esperto do mundo. Descartadas, indesejadas, abandonadas, essas recordações cada vez mais irrelevantes do século passado precisam de SUA ajuda, de SEU amor, seja numa lixeira, numa venda de garagem ou mofando numa seção esquecida de uma rede de livrarias”.

Uma leitura inesperada

Eu e a Mel ficamos ansiosos para ler esse livro (não exatamente por causa do pedido de Chris, mas ele não precisa saber disso…) e, bem… acho que ainda não estávamos preparados.

A história é muito simples: Jimmy, um adulto tristonho e socialmente deslocado, recebe um convite para visitar o pai (que tinha abandonado ele e a esposa quando Jimmy era pequeno) no feriado de Ação de Graças.

Jimmy desperta compaixão, mas não o suficiente para compensar a narrativa extremamente esquisita. Pra começo de conversa, o autor conta a história de dois personagens – Jimmy e seu avô, James –, que são… iguais! Sei que foi intencional, que obriga o leitor a prestar atenção, e que depois de um tempo você entende quem é quem, mas não gostei desse recurso.

Além disso, os três têm muita imaginação, e Chris faz questão de retratar isso, a ponto de fazer você reler um trecho várias vezes até entender se aquilo realmente aconteceu na história ou se era apenas um delírio do protagonista.

Jimmy se sente mal por ter sido largado pelo pai, e a falta de intimidade coloca os dois em situações desconfortáveis (o clima estranho é muito bem retratado); o avô tinha um pai autoritário, e sofria bullying na escola. Isso deixa a história pesada, meio triste, e eu precisei fazer um esforço consciente para terminar a leitura, não porque ela me prendesse, mas porque eu queria saber o que acontecia com os personagens.

Por outro lado, os desenhos são muito bem feitos, a arte-final é bonita e eu gostei do traço do autor. Texto e arte, por sinal, estão muito bem integrados entre si!

Até a próxima, Jimmy

Jimmy Corrigan foi aclamado por vários críticos, mas confesso que não gostei muito (não agora, pelo menos; pretendo reler daqui a algum tempo). Achava que seria uma história mais envolvente, focada em apenas um protagonista, e que não seria tão confusa.

Por outro lado, eu já imaginava que ia ser um livro… peculiar. Essa é a parte das expectativas que o autor cumpriu.

Recomendo que você vá a uma livraria e dê uma lida nas primeiras páginas antes de comprar, pra ver o que acha da proposta.

Não me arrependo de ter lido, mas pretendo repetir a experiência daqui a alguns anos (como estou fazendo com a série Harry Potter, que adorei da primeira vez e estou curtindo ainda mais agora).

ISBN 9788535915488 Editora Quadrinhos na Cia (Companhia das Letras) Nota 3/5 Páginas 388

Obrigado pela leitura e… até semana que vem!

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