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07. Mar. 2014

A estrela que nunca vai se apagar (Esther, Lori e Wayne Earl)

Arquivado em: Livros são amor

Se Esther e eu tivéssemos nos conhecido, tenho quase certeza de que seríamos bons amigos: ela adorava ler, escrever e desenhar, era fã de Harry Potter e viveu a ideia de que, no fim das contas, tudo na nossa vida tem um lado bom – mesmo que seja um simples “poderia ser pior”.

O maior mérito de A estrela que nunca vai se apagar é fazer com que o leitor crie uma espécie de vínculo com Esther, mesmo sem jamais ter conversado com ela: cartas, desenhos, trechos de diários, depoimentos de familiares, amigos e profissionais de saúde que tiveram contato com ela ajudam a criar um retrato extremamente rico, sem cair naquela armadilha de transformar a pessoa em uma espécie de entidade sem defeitos, inumana.

Ela era bem humorada, mas também passava por momentos de angústia, se estressava. Tinha energia, mas às vezes ficava abatida por conta do desgaste causado pela doença e pelos tratamentos. Amava sua família e seus amigos, mas nem por isso estava livre de conflitos. Adorava companhia, mas às vezes queria ficar a sós com seu diário e com Deus. Era, acima de tudo, humana.

A menina que inspirou A Culpa é das Estrelas, de John Green (que se tornou seu amigo apesar do pouco convívio), era cativante, e resumi-la a “uma menina com câncer” seria um insulto, pois mesmo uma doença tão impactante, que tirou sua vida, não apagou nem suas qualidades, nem seus defeitos.

Os materiais que compõem o livro são extremamente variados, e isso deixa A estrela que nunca vai se apagar muito rico. Os estilos variam, mas a forma como organizaram os textos e imagem evita que o leitor se confunda.

A diagramação é muito “feliz” (alguns leitores talvez achem exagerada), e ajuda a afastar um pouco o lado triste da história – o fato de que, de certa forma, o câncer venceu a “luta”. Minha única ressalva é em relação à foto da capa, que é bonita, mas tem uma resolução muito baixa.

Não acho que a vitória da doença foi total, porque acredito que uma pessoa só morre quando é esquecida, e, se depender dos leitores e fãs que conheceram sua história, isso não vai acontecer tão cedo com a Esther.

Leitura obrigatória para os fãs de A Culpa é das Estrelas – e muito recomendado até para quem ainda não leu essa obra do John Green.

ISBN 9788580574661 Editora Intrínseca Nota 4/5 Páginas 448

Aperitivos

“Sabe o que é meio estranho?

Quase todas as noites, quando estou indo para cama, falo meio que sozinha e meio que com Deus (minha forma de oração). E, enquanto estou falando com Deus, sem dúvida falo das minhas dores e também do câncer. Essa não é a parte estranha. A parte estranha é que no final costumo ter lágrimas escorrendo pelo rosto, mas não sei por que, já que não fico (muito) triste por causa do câncer todos os dias. Talvez isso libere algumas das minhas emoções que as pessoas normais controlam em situações sociais diárias… Não faço ideia.”

(p. 112)

“Um grupo de crianças com as quais eu trabalhava em 2002 me incentivou a ler Harry Potter. Eu estava relutante – pensava que fosse apenas uma moda passageira –, mas, assim que comecei o primeiro capítulo, não consegui mais largar. Fechei o livro, virei-me para a pessoa sentada ao meu lado, e disse:
– Este livro acaba de mudar minha vida.
Hogwarts abriu um mundo de liberdade para mim, um mundo de maravilhas

(…)

Por ter passado a infância devorando Harry Potter com a irmã Evangeline, Esther encontrou consolo nas experiências de Harry. Da mesma forma que tantos outros e eu, para Esther, os triunfos de Harry eram os triunfos dela. As perdas dele, as perdas dela.”

(p. 281; 283)

Obrigado pela atenção, e até a próxima!

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05. Fev. 2014

Extraordinário (R. J. Palacio)

Arquivado em: Livros são amor

Ai que saudade de escrever resenha com frequência por aqui. Estou cheia de livros legais para resenhar pra vocês – acho que vocês perceberam que eu praticamente só resenho livros que gosto, né? – e pretendo voltar com a frequência de uma por semana (quem sabe, consigo publicar mais de uma para compensar a falta).

Extraordinário está com certeza no primeiro lugar da minha lista de melhores leituras de 2013 e entrou para a minha lista de livros que mais marcaram a minha vida (estou planejando fazer um vídeo/post falando sobre eles). Nele conhecemos August (Auggie), um garoto que nasceu com uma síndrome genética rara que fez com que o seu rosto tivesse uma deformidade severa (mesmo com diversas cirurgias, a deformidade continuava muito evidente).

Nesse livro, acompanhamos uma mudança muito grande na vida de Auggie: seus pais decidiram que era hora dele ir para a escola (até então ele estudava em casa com a sua mãe). Se já é difícil entrar pra uma escola nova, imagine para uma criança que está acostumada a atrair olhares e “assustar” as pessoas por ter nascido com um rosto “fora do padrão”? Pois é, mas mesmo com todo esse peso, Auggie vai para a escola e não apenas marca a vida de todos que passam a conviver com ele, mas também a de nós, que lemos livro.

(a foto ficou fora de foco, mas gostei dela hehe)

A mensagem que o livro nos ensina é passada de uma forma muito interessante e gostosa: por meio das diferentes experiências das pessoas que convivem com August e do próprio August. O livro é dividido em oito partes sendo algumas narradas pelo Auggie, outras pela sua irmã, Via, sua nova amiga Summer…

É um livro leve, emocionante e extremamente gostoso de ler. Passa uma mensagem linda e me fez querer descobrir uma forma de entrar nele e conhecer o Auggie pessoalmente. Sério mesmo! Eu amei, amei e amei!

(dedicatória do meu irmão)

Esse livro é cheio de citações que merecem ser destacadas (como vocês podem ver na foto acima, marquei várias páginas) e uma das coisas que chamou a minha atenção foi a lista de preceitos que o professor Browne fez os seus alunos escrever. Já no primeiro preceito há uma lição muito bonita e importante que acredito que todos devemos seguir “Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”.

Bom, acho que ficou claro que eu super recomendo esse livro, né?

ISBN: 978-85-8057-301-5 | Editora: Intrínseca | Páginas: 320 | Nota: 5/5 (favorito)

Alguém aí já leu? O que achou?

Obrigada por tudo, pessoal!

xoxo

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22. Jan. 2014

Eu me chamo Antônio (Pedro Gabriel)

Arquivado em: Livros são amor

Conheci o trabalho desse autor graças à minha amiga Dani Faria, que compartilhava postagens dele no Facebook. Gostei logo de cara.

Não é fácil escrever poesia sem cair no exagero. Muitas vezes, a pessoa se empolga e acaba deixando a coisa toda muito “açucarada”, meio piegas. Pedro, não: ele mantém o equilíbrio e cria algo comovente, sem apelações.

Metáforas, trocadilhos e um belíssimo trabalho de tipografia, em que letras e desenhos mantêm uma grande harmonia, como se estivessem dançando, ajudam a tornar seu trabalho digno da multidão que conseguiu conquistar – e com a qual ele mantém contato em sua fan page.

Pedro tem o curioso hábito de escrever poemas em guardanapos do tradicional Café Lamas (um bar do Rio de Janeiro) e deixá-los sobre a mesa de pessoas com as quais queria interagir, sempre com a assinatura “eu me chamo Antônio” (o segundo nome do autor).

Não vou falar muito mais sobre o trabalho em si, para não estragar… Só adianto que é difícil não parar em cada página para tentar, digamos, absorver a poesia. Dito isso, prefiro deixar que vocês vivenciem a experiência com a maior autonomia possível.

O livro está muito bem editado, e o projeto gráfico conseguiu traduzir muito bem o espírito da obra de Pedro/Antônio, com os guardanapos fotografados em ambientes que têm tudo a ver com a mensagem escrita. Fiquei muito feliz quando soube que iam lançar essa compilação, e ainda mais feliz quando a editora Intrínseca nos mandou um exemplar!

Recomendo fortemente!

ISNB 9788580574357 Editora Intrínseca Nota 5/5 Páginas 191

Obrigado pela atenção, e até a próxima! :D

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