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13. Jun. 2013

As Crônicas de Gelo e Fogo (George R. R. Martin)

Arquivado em: Livros são amor

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Nunca imaginei que teria paciência para ler essa série (achei a proposta legal, mas os livros pareciam intermináveis). Dois anos mais tarde, aqui estou eu, lamentando o fato de já ter lido os cinco livros lançados até agora e de ter que esperar só-Deus-sabe quantos anos até o lançamento dos próximos (o autor pretende escrever sete no total) – e, para aumentar o sofrimento, lembro que a 4ª temporada da série de TV só sai ano que vem.

Que transformação é essa? Como uma pilha de livros “grande demais” se tornou, digamos, insuficiente?

Nota: essa resenha foi feita tanto para quem já leu (ou começou a ler) como para quem nunca leu. Não contém spoilers, por isso podem prosseguir sem medo.

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Detalhista… na medida certa

Martin descreve roupas, ambientes, armas, fisionomias e vários outros aspectos de seu mundo sem deixar a leitura maçante, pois não se esquece de que, embora descrições ajudem na experiência, a maioria dos leitores desse tipo de obra quer ação – e não falo apenas de guerras, mas de diálogos, discussões, demonstrações de afeto. Eu não queria apenas apreciar a beleza do mundo criado por Martin, queria “ver” as pessoas vivendo nele.

A leitura flui, especialmente por causa do estilo ágil do autor e do equilíbrio entre descrição e ação. Os capítulos não são muito curtos, mas eles começam a passar rápido assim que você se envolve com a história (algo que aconteceu comigo logo no começo).

O segredo da perspectiva

Um dos meus aspectos favoritos das Crônicas é a narrativa a partir do ponto-de-vista de certos personagens. O leitor sabe o que se passa na cabeça deles, “convive” com eles e, na maior parte dos casos, cria empatia ou até mesmo se apega a eles – o que, como vocês vão ver, pode ser muito bom… e muito complicado.

Cada capítulo leva o nome do personagem que o narra, e todos são organizados de modo que o leitor tenha uma noção do que está acontecendo em cada um dos vários focos da narrativa. Tive a sorte (e o azar) de gostar de praticamente todos os personagens de ponto-de-vista, e foram raros os momentos em que tive vontade de pular um capítulo para descobrir o que aconteceu com um deles.

Martin, o matador

Vocês provavelmente já ouviram alguém dizer “não se apegue a nenhum personagem, porque eles sempre morrem”. O conselho, embora impraticável (na minha opinião), faz todo o sentido: ao contrário da J. K. Rowlling (autora de Harry Potter), Martin não sente remorso nem tem piedade na hora de matar seus personagens, mesmo que sejam de ponto-de-vista – aliás, a descrição dos momentos finais de um personagem desses é especialmente marcante.

Já no prólogo de A Guerra dos Tronos (o primeiro da série e que deu nome à adaptação para TV) tem gente morrendo, e ao longo do livro pelo menos quatro protagonistas morrem. O mesmo acontece em A Fúria dos Reis e, em A Tormenta de Espadas, Martin chega ao ápice da crueldade (quem assistiu ao nono episódio da terceira temporada do seriado sabe do que estou falando).

A rainha Cersei, uma das protagonistas, resume muito bem esse fenômeno em uma frase: “No jogo dos tronos, ou você ganha, ou você morre”.

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Guerras, intrigas e outras coisas

Toda a trama, basicamente, gira em torno de disputas pelo poder sobre o continente de Westeros, que ocorrem tanto em salas de reuniões quanto em campos de batalha. Confesso que não tenho muita paciência para jogos políticos, mas Martin dá um jeito de manter a coisa interessante.

Westeros é povoado por dezenas de Famílias/Casas, que se aliam e guerreiam umas com as outras. Na série, as que ganham mais destaque são as Casas Stark, Lannister, Baratheon, Targaryen, Martell e Tully. Leva um tempo até gravar quem pertence a qual Casa e qual o seu papel na trama, mas felizmente o leitor conta com um apêndice no final do livro, separado por Casas ou por outros tipos de afiliação (como é o caso da Patrulha da Noite ou das Companhias Livres).

Alguns leitores podem ficar meio chocados com as detalhadas cenas de sexo que aparecem ao longo da narrativa, mas vale dizer que elas ajudam a dar mais, digamos, realismo aos livros, e mesmo quem se sente constrangido com esse tipo de coisa não deve deixar de ler a série.

Há criaturas fantásticas e magia, sim, mas o foco está em conflitos que poderiam muito bem acontecer no mundo real – é diferente, por exemplo, de O Senhor dos Anéis, em que magos, orcs e dragões aparecem o tempo todo ao longo da história.

Cada personagem tem uma visão própria, e a experiência do leitor passa diretamente por esse filtro (o que eu não considero um problema, muito pelo contrário).

Como prometido, não vou contar detalhes da história, porque há tantas reviravoltas que qualquer revelação pode acabar estragando grandes surpresas (por essa razão, os “aperitivos” no final do post são todos do primeiro livro, e foram selecionados com um cuidado especial).

As Crônicas de Gelo e Fogo estão entre aqueles livros que eu não apenas adorei ler, mas que recomendo fortemente para todos os meus amigos, especialmente para quem curte o gênero de Fantasia (há magias e dragões e outros seres fantásticos, embora o foco esteja nos personagens, todos humanos).

Em tempo: também acompanho o seriado (Game of Thrones) e acho fantástico. As duas obras se complementam, por isso sugiro que, se vocês puderem, acompanhem ambas.

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Edição de Bolso

Meu irmão havia me emprestado as edições “normais”, lançadas no Brasil pela editora Leya, que são bem confortáveis de ler: as margens são boas, o papel tem uma boa gramatura e o projeto gráfico como um todo é muito bonito. O único problema é o tamanho.

No final do ano passado, a Leya lançou um box com edições de bolso dos livros, e comprei logo que tive a chance. Da mesma forma que as outras, essas edições têm suas vantagens e desvantagens.

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Para começar, o conjunto tem um belo projeto gráfico (tanto os livros como o box) e o tamanho facilita o manuseio (além de evitar dor nas costas, se você, como eu, não sai de casa sem levar um livro). Contudo, a edição é muito frágil: a lombada sofre porque a capa é fina, e as páginas amassam facilmente por causa da finura do papel – um preço a pagar pelo tamanho.

As margens são boas mas, como os livros são grossos, às vezes você precisa abrir bastante para conseguir ler direito. De qualquer forma, contêm todo o material (apêndices, mapas etc.) das edições “grandes” e, no fim das contas, vale a pena – exceto pra quem tem pavor de deixar qualquer tipo de “marca” nos seus livros; nesse caso, recomendo as edições “grandes” mesmo.

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Aperitivos

“No centro do bosque, um antigo represeiro reinava pensativo sobre uma pequena lagoa onde as águas eram negras e frias. Ned chamava-lhe ‘a árvore-coração’. A casca do represeiro era branca como osso e suas folhas, vermelhas como mil mãos manchadas de sangue. Um rosto tinha sido esculpido no tronco da grande árvore, de traços compridos e melancólicos, com os olhos profundamente escavados, vermelhos de seiva seca e estranhamente vigilantes. Aqueles olhos eram velhos; mais velhos do que Winterfell. Se as lendas eram verdadeiras, tinham visto Brandon, o Construtor, assentar a primeira pedra; tinham visto as muralhas de granito do castelo crescer à sua volta. Dizia-se que os filhos da floresta tinham esculpido rostos nas árvores durante os séculos da alvorada, antes da chegada dos Primeiros Homens, vindos do mar estreito”.

(p. 33)

“Havia momentos – não muitos, mas alguns – em que Jon Snow ficava feliz por ser um bastardo. Enquanto enchia mais uma vez sua taça com o vinho de um jarro que ia passando, deu-se conta de que aquele poderia ser um desses momentos.
Voltou a se instalar em seu lugar ao banco, entre os escudeiros mais novos, e bebeu. O sabor doce e frutado do vinho estival encheu-lhe a boca e trouxe-lhe um sorriso aos lábios.
O ar no Grande Salão de Winterfell estava repleto de fumaça e pesado com os cheiros de carne assada e pão recém-assado. As grandes paredes de pedra do salão estavam adornadas com os estandartes. Branco, dourado, carmesin: o lobo gigante de Stark, o veado coroado de Baratheon, o leão de Lannister. Um cantor tocava harpa e recitava uma balada, mas nesta ponta do salão quase não se conseguia ouvir sua voz acima do rugir do fogo, do clangor de pratos e taças de peltre, e do burburinho grave de uma centena de conversas ébrias.”

(p. 67)

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Recebi essa camiseta da Fiction Corporation. É da casa Stark, minha favorita.

Durante as fotos, o Spock resolveu aparecer:

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E aí, alguém já leu? Assistiu ao seriado? Os dois? Nenhum? Compartilhe nos comentários!

04. Jun. 2013

Orgulho e Preconceito (filme)

Arquivado em: Pipoca

melinasouza

Lembram quando eu pedi pra vocês votarem em qual filme queriam que eu resenhasse primeiro aqui no blog? Eu dei quatro opções de filmes tinham a Jane Austen em comum e o mais votado foi Orgulho e Preconceito. Eu já tinha assistido esse filme há alguns anos, mas estava com muita vontade de rever e essa foi uma boa “desculpa”.

Esse filme é uma adaptação do livro Orgulho e Preconceito da escritora inglesa Jane Austen. Se passa na Inglaterra do século XVIII (mais especificamente no ano de 1797) e tem como protagonista a jovem Elizabeth Bennet, uma das cinco filhas da Sra. Bennet (uma mulher que tem como principal objetivo de vida encontrar bons partidos maridos para suas filhas). Com a chegada do Sr. Bingley, um homem solteiro muito rico, a  Sra. Bennet decide que seu marido precisa dar um jeito de apresentar as garotas para ele, pois tem certeza de que uma delas irá conquistá-lo. É em um baile que a vida de Elizabeth muda, mas não exatamente por causa do Sr. Bingley e sim por causa do charmoso/rico/esnobe Sr. Darcy.

Orgulho e Preconceito é um filme perfeito para quem gosta de romance de época, folheado de maçã e do Spock. Ok, brincadeira (ou não!). É um filme com uma fotografia incrível que, pra variar, me deixa com vontade de entrar com a câmera fotográfica e com um livro. Pois é, vontade de entrar para fotografar tudo e depois sentar em um sofá (ou embaixo de uma árvore) e ler um bom livro.

Quem quiser ver o trailer legendado clique aqui

Esse romance tem várias adaptações e pretendo ver (quase) todas e compartilhar aqui no blog. Eu poderia fazer uma resenha mais profunda sobre a história, mas pretendo fazer isso na resenha do livro ;)

E aí, quem já assistiu? O que achou?

Obrigada por tudo, pessoal!

xoxo

A classificação indicativa é livre

26. Mai. 2013

Sábado à noite (Babi Dewet)

Arquivado em: Livros são amor

Antes de falar sobre a história do livro, diagramação e essas coisas, quero contar como Sábado à noite foi parar em minhas mãos. Estava passeando com a fofa da Paula Pimenta quando ela recebeu uma ligação da Babi Dewet avisando que estava em um shopping por perto. Alguns minutos depois lá estava eu almoçando com a Paula, com a Pri (não é a Pri de Minha Vida Fora de Série, heim? haha) e com a Babi do meu lado. Foi um almoço tão legal e divertido que dei um jeito de ir em um evento da Babi na Livraria Curitiba no mesmo dia à noite e comprei o livro.

babi

Não lembro se foi a Paula ou a Pri que tirou essa foto então os créditos são das duas haha :)

Sábado à noite é uma adaptação de uma fanfic de mesmo nome escrita pela Babi Dewet. A história se passa no ensino médio e os personagens principais fazem parte de dois grupos: as meninas são lindas e populares e os meninos são bagunceiros (marotos). A vida deles sofre uma reviravolta quando a professora de Artes decide escolher quem fará dupla com quem nas próximas aulas e coloca Amanda, a garota mais bonita e popular, com Daniel, um dos marotos. Amanda e Daniel têm uma paixão mal-resolvida, o que torna esses encontros mais emocionantes fazendo diferentes questões e sentimentos virem à tona. Pra completar, o diretor tem a brilhante ideia de promover bailes todos os sábados à noite e para isso contrata uma banda de músicos talentosos e mascarados que cantam músicas que parecem ter sido escritas para Amanda.

A principal questão que a Babi traz nesse livro é o Amor x Amizade, pois Amanda se encontra em um dilema por ter certeza de que uma de suas melhores amigas gosta do mesmo garoto que ela, o que faz com que não só ela, mas o seu amor também sofra (e muito!).

Gostei muito do livro, chorei várias vezes e me irritei muito também. Vou aproveitar esse parágrafo pra fazer um desabafo: eu não gosto da Amanda! Não vou falar muito pra não contar spoilers, mas muitas vezes ela tomou atitudes que me fizeram querer entrar no livro e brigar com ela (pois é!). Embora a Babi tenha conseguido nos fazer refletir sobre os dois lados (o da Amanda e o do Daniel), eu não consegui deixar de me irritar com as suas atitudes (e de me apaixonar pelo Daniel).

A versão que eu tenho foi publicado pela Editora Generale e eu gostei bastante do trabalho gráfico dela, mas me incomodei um pouco com uns errinhos que passaram batido na revisão. As páginas são amareladas e a margem/espaçamento/fonte são ótimos.

melinasouza

A Babi Dewet é uma escritora-blogueira super querida. Fiquei muito feliz por ter conhecido ela e seu trabalho. Espero encontrá-la novamente logo e ler o segundo volume de Sábado à noite (por favor, diz que a Amanda ficou mais legal? :P).

ISBN: 9788563993380 Editora: Generale Páginas: 334 Nota: 4/5

Quem quiser acompanhar as novidades:

Babi Dewet: blog | twitter | facebook | youtube

Sábado à Noite: fanpage | twitter | youtube

melinasouza

O Spock quer se candidatar para ser um maroto, mas reclamou que a máscara não é do tamanho dele :P

melinasouza

Babi, parabéns pelo livro e pelo sucesso :D Volta logo pra Curitiba!

Quem quiser me acompanhar nas redes sociais literárias: skoob e goodreads

Obrigada por tudo, pessoal!

xoxo