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11. Nov. 2013

Como escrever melhor

Arquivado em: Dicas

Posso não ser o melhor redator do mundo, mas com o passar do tempo comecei a ter mais facilidade para traduzir ideias sob a forma de palavras, e quero passar pra vocês um pouco do que aprendi até agora.

Ano passado, enquanto procurava livros sobre redação, encontrei o excelente Make Every Word Count (algo como “Faça cada palavra contar”), do Gary Provost, que defende a seguinte ideia: em um bom texto, seja ele de ficção ou não, cada palavra deve cumprir seu papel.

Ainda estou estudando esse livro, mas posso adiantar diversas ideias do autor que têm me ajudado muito (e, imagino, vão ajudar vocês também, quando precisarem escrever):

Mostre ao leitor que você está “do lado dele”: Se você passar a impressão de que não se importa com seu leitor, ele provavelmente não vai se dar ao trabalho de ler o seu texto, e, mesmo que leia (por obrigação), talvez, não vai gostar. Agora, se você mostrar que quer fazer algo por ele (informar, divertir, propor uma reflexão), a conversa vai ser outra…

Cada combinação de palavras afeta a ideia inicial de alguma maneira: Existem infindáveis maneiras de dizer a mesma coisa; você pode dizer a mesma coisa de diversas maneiras; é possível dizer a mesma coisa de diversas maneiras… (hehehe) E cada maneira que você escolhe vai afetar a ideia inicial. Por isso, escolha com sabedoria!

Evite “verbosidade”: Colocar verbos demais pode cansar o leitor, que vai querer lagar o texto assim que tiver a chance de fazer isso, e mandar você passear… Viram que frase chata?

Quanto menos palavras, maior o impacto: Frases muito longas tendem a diminuir o interesse do leitor. Além disso, se você conseguir sintetizar suas ideias, elas terão um impacto maior; caso contrário, a “força” delas diminui a cada palavra;

Precisão, não tamanho: Expressar uma ideia com clareza e em poucas palavras exige habilidade – e pode impressionar o leitor;

E aí, o que acharam? Gostaram? Não? Deixem suas opiniões nos comentários – se quiserem, teremos mais posts como esse ;)

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29. Jul. 2013

Marina Menina Bailarina

Arquivado em: Aleatoriedades

Por amar demais ela se esqueceu de seu amor próprio; como um espelho inverso, refletia o mundo ao invés de si. Talvez a vida não lhe tenha dado bom exemplo, não lhe dera justiça ou trégua, mas afinal para quem daria?!

Marina, menina bonita, não sabia mais ser só. Sabia que podia mais, mas se dividia em três ou quatro até não sobrar nenhum pedaço. Carregava em seu peito sentimentos que encontrava pelo caminho, até a esgotar e ter de deixar alguns para trás. Marina bailarina, sempre soube se equilibrar, seus passos firmes e seus movimentos leves a ensinaram a caminhar, mas mentia sem querer, se abria sem poder, caía e não sabia se reerguer. Sua leveza, assim, de nada valia. E quem sabe o mundo dessa menina precisava apenas de uma mão amiga. E quem saberia que essa mão seria a minha? Das poucas migalhas que dela restaram, pode-se refazer um humilde pedaço de seu coração. Mas afinal, para recomeçar devemos deixar para trás o passado, sempre se lembrar dos caminhos traçados para evitar o que de ruim neles foi encontrado e aprender a dar novos passos em uma nova direção.

E tudo bem: se hoje não der certo, amanhã ao seu lado estarei.

***

Hoje eu só queria dizer que escrevi esse texto para uma amiga muito importante para mim, espero que tenham gostado!

Um beijo, Dan ❤

03. Jun. 2013

A volta do garoto da camisa listrada

Arquivado em: Aleatoriedades

melinasouza

Há alguns meses escrevi e publiquei no A Series of Serendipity um conto chamado Listras e Lembranças. Hoje, quando estava respondendo e-mails recebi um presente. A leitora Fernanda Lamounier disse que o meu conto despertou nela uma vontade de escrever e foi o que ela fez em A volta do garoto da camisa listrada, uma continuação pra minha história. Gostei tanto do presente que vim compartilhar com vocês :)

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Eu poderia dizer meu nome. Mas não o farei. Nomes podem ser perigosos. Talvez, se eu revele o meu, você me procure no Facebook ou ache resultados jogando meu nome no Google. Talvez essa simples palavra revele minha aparência e faça com que você me julgue por ela. E não é esse o meu objetivo. Por isso prefiro ser conhecido apenas como o Garoto da Camisa Listrada.

Faz algum tempo que, passeando pelas dimensões dos sonhos, encontrei uma menina que dormia sonhando com Londres. O sonho era preto e branco, sem graça aos meus olhos. Talvez fosse magnífico para ela, a julgar pelo seu sorriso adormecido pelas estrelas que brilhavam na janela. Aquele sonhos me induziu a modificá-lo. A entrar nele e me encontrar com aquela menina adormecida, conhecê-la. E assim o fiz, colorindo-o. Melina, era seu nome. Não temo dizê-lo, pois Mel é uma garota especial e creio que muitos a conhecem, afinal, ela não vive nesse anonimato que eu escolhi.

Me lembro vagamente daquela tarde, em um chuvoso e frio dia de setembro, como Mel adora. Nesse tempo que volta a ser cinzento em Londres, me forçando a usar não só a camisa, mas o cachecol listrado, voltei a me lembrar daquela garota sardenta e meiga. Bateu aquele sentimento de carência, falta… saudade. Da Mel, da câmera dela, daquela risada e do sotaque de quem claramente nunca tinha vindo à Inglaterra.

Foi para lá que me dirigi: a casa onde pela primeira vez havia encontrado aquela bookaholic, blogueira e fotógrafa. Uma carta já se encontrava na sua mesa e tinha certeza que Melina a encontraria na hora certa. Esperei encostado a um poste, observando o passar dos Black Caps e dos Red Bus. Ouvi a porta se abrir atrás de mim. Mel estava diferente. A franja maior, os lábios mais rosados, o sorriso mais largo. Ela também usava uma camisa listrada, e me perguntei se isso seria algum tipo de brincadeira. Uma pequena bola de pêlo saltitava atrás dela. O famoso Spock. Eu sorri ao vê-la e ela retribuiu o gesto.

“Que pontualidade britânica!”, disse a ela, em meio a um sorriso.

Ela abaixou para pegar Spock no colo, tomando cuidado para não deixar sua polaroid cair. No seu rosto havia um sorriso contagiante e olhos verdes que mostravam curiosidade, como se pudessem me perguntar: aonde vamos?

“É bom ver você de novo, Camisa Listrada”, ouvi sua voz pela primeira vez em meses. Elas olhou maravilhada para a paisagem de Londres em plena primavera. “Estou sonhando?”

“Isso depende no que você pensa que é sonhar”, cheguei mais perto dela. “É possível sonhar acordado.”

Estendi minha mão e senti uma corrente elétrica subir pelo meu braço ao toque quente de seus dedos, cujas unhas estavam pintadas de azul. Com a mão livre, sinalizei para que um Red Bus parasse. Da última vez, eu e Mel tínhamos andado no Underground, dessa vez andaríamos nos ônibus vermelhos de dois andares. Ela estava animada, fazendo com que a nossa trilha sonora da viagem fosse um conjunto de clicks de câmera e murmúrios de músicas do She & Him.

E, bem, o que posso dizer do resto do dia? Não há palavras para descrever nossa visita à plataforma 9 ¾, na King’s Cross Station, nosso piquenique no Hyde Pak ou nosso passeio de bicicleta pelas margens do Thames. Honey Pie fez questão de voltar à London Eye e ao Big Ben, é claro. Também deu tempo de uma pequena sessão de cinema, com direito a pipoca e óculos 3D. Spock ficou de fora, mas acho que ele gostou de fazer amizade com os lindos labradoodles do outro lado da rua.

Como explicar a sensação de formigamento toda vez que ela fazia comentários exclamados por sua surpresa adorável, ou o modo como ela me fazia rir fácil ou talvez o jeito como eu e ela falávamos frases aleatórias que nos faziam trocar olhares significativos. Eu reconheci a sensação, apesar de nunca tê-la sentido antes. De ter um amigo.

Pode parecer estranho, considerando que viajo todo dia por diferentes dimensões e conheci milhões de pessoas. Mas não posso chamá-las de amigas. Mel é diferente. Ela, como eu, vive em diferentes dimensões, mesmo que não perceba. Em seus sonhos, ela viaja tanto quanto eu, para terras onde é possível montar em unicórnios, planetas onde zumbis são habitantes comuns e países onde o futuro já chegou. Ela nunca está lá fisicamente, como eu, mas pelo menos pode estar lá psicologicamente. Não foi à toa que ela prestou faculdade de Psicologia.

O dia acabou, amanhã ela provavelmente acordará, pensando que foi tudo um sonho novamente, que eu era fruto de sua fértil imaginação. Então ela olhará para sua escrivaninha, onde as fotos estarão, um vestígio da noite anterior. O moleskine ainda aberto, com relatos da tarde que passei em sua companhia na capital inglesa, com apenas uma diferença: um envelope lacrado em meio às suas páginas. Ela terá aquela sensação de dejá-vu, como se fosse tudo um filme que ela via pela 2ª vez.

A mensagem dirá, numa caligrafia conhecida de tempos atrás: “Mais uma vez obrigado pela viagem, mocinha, agora que não podemos chamar mais nossos encontros de sonhos. Eles são reais, como sabemos. Sei que você tem perguntas, e temo que não possa responder todas elas. Elas serão reveladas com o tempo. Não se preocupe, eu voltarei. Não sei quando. Um abraço e um beijo do garoto de camisa listrada”.

Sei que o nosso reencontro depende de mim. Queria continuar ao seu lado agora, mas não acho que nossa amizade sincera duraria para sempre se nossas tardes fossem eternas. Elas são especiais. Situações especiais são raras, por isso tão ansiadas. Eu e Mel não somos mais dois estranhos pelas ruas de uma cidade ainda mais desconhecida; somos dois amigos pelos caminhos utópicos de nossa amada Londres.

Para Melina, do blog A Series Of Serendipity, por Fernanda Lamounier

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Fernanda, muito obrigada pelo presente lindo. Amei e até me animei para escrever mais alguns contos ;)

E aí, o que vocês acharam, pessoal?

xoxo