LIVROS

Ilha do Medo (Dennis Lehane)

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Depois de terminar o excelente Os Filhos da Noite, eu TINHA que ler outra obra do autor. Sem pensar demais, pedi à Companhia das Letras o Ilha do Medo (que antigamente era publicado como Paciente 67, mas que hoje leva o título da adaptação para o cinema).

Li.

Adorei.

E agora vou contar o porquê.

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Nuvem de suspeitas

Em Ilha do Medo, o leitor acompanha Teddy Daniels, um xerife encarregado de investigar a fuga de uma paciente do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, onde são tratados criminosos perigosos – a própria Rachel foi acusada de matar seus três filhos pequenos, numa espécie de surto psicótico.

Teddy conta apenas com um aliado, seu parceiro de investigação, Chuck Aule, e percebe que, se quiser resolver o caso, vai ter que passar por uma série de mentiras orquestradas pela administração do hospital.

De início, a trama é simples, uma investigação policial que poderia caber em um episódio de CSI ou outra série do tipo, mas aos poucos o leitor começa, da mesma forma que Teddy, a ficar intoxicado com o ambiente da ilha, com seus pacientes perigosos e funcionários que levantam, mesmo sem querer, todo tipo de suspeita.

Lehane não tem a menor dificuldade em prender o leitor, pois criou dois protagonistas envolventes (Teddy é durão, mas carrega feridas, e você torce o tempo todo por ele; já Chuck é espirituoso, leal, e, como Teddy aponta mais de uma vez, inspira confiança) e tem um estilo narrativo em que cada parágrafo cumpre seu papel, seja avançando diretamente a história, seja construindo seus personagens.

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Nem preciso dizer (mas digo assim mesmo hehehe) que a diagramação é excelente, com fontes e espaçamentos que deixam a leitura confortável. A capa, apesar de ser basicamente o cartaz do filme baseado no livro (não gosto muito quando fazem isso), é bonita, e combina com a trama. Senti um pouco de falta das “orelhas” para proteger o livro, mas isso não chegou a atrapalhar a leitura. A tradução também é excelente.

Ilha do Medo, infelizmente, é um alvo fácil pra quem gosta de soltar spoilers, porque tem revelações surpreendentes, e ouvir alguém contar estraga (pelo menos pra mim) boa parte da experiência. Se você conseguir ler esse livro (ou ver o filme) com “pureza”, sabendo só o básico do enredo, melhor. Se não… bom, ainda é um material excelente!

Além do filme, adaptaram a história para uma graphic novel – que pretendo ler um dia, com certeza.

E vocês? Já leram/assistiram Ilha do Medo? Gostam desse tipo de história, com suspense, drama etc.? Curtem “romance policial”? Digam nos comentários! :D

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ISBN 9788535916256 Editora Companhia das Letras Nota 5/5 Páginas 344

Aperitivos

“Dolores morrera havia dois anos, mas revivia à noite, nos sonhos dele. E às vezes, no alvorecer, Teddy passava minutos a fio pensando que ela estava na cozinha ou tomando café na sacada do apartamento em Buttonwood. Era uma cruel ilusão armada por sua mente, claro, mas havia muito tempo que Teddy se conformara com a lógica desse acontecimento – afinal de contas, acordar era como nascer. A gente emerge sem história. Depois, entre um piscar de olhos e um bocejo, reorganiza o passado, dispondo os fragmentos em ordem cronológica, reunindo forças para enfrentar o ambiente.”

(p. 29)

“O dr. Cawley era muito magro, quase esquelético. Não chegava a se parecer com os sacos de ossos e cartilagens que Teddy vira em Dachau, na Alemanha, mas com certeza estava precisando de umas boas refeições. Seus olhinhos pretos, muito fundos, emanavam uma atmosfera sombria que parecia se espalhar todo o rosto. Cawley tinha a pele crivada de cicatrizes de acne, e as faces tão escaveiradas que pareciam chupadas de dentro do corpo. Os lábios e o nariz eram tão finos como tudo o mais; e o queixo, exageradamente recuado, parecia não existir. O pouco que restava dos cabelos era preto como os olhos e as olheiras.

Não obstante, o dr. Cawley tinha um sorriso explosivo, animado, que transbordava uma confiança capaz de iluminar a íris – com esse sorriso ele os brindou naquele momento, enquanto dava a volta à escrivaninha para ir, de mão estendida, cumprimentá-los.

‘Xerife Daniels e xerife Aule’, ele disse. ‘Alegra-me que tenham conseguido vir tão prontamente.’
Sua mão, seca e lisa como a de uma estátua, apertou a de Teddy com tanta força que este sentiu a pressão subir pelo antebraço. De olhos brilhantes, Cawley o fitou por um instante, como a dizer: ‘Não esperava por isso, não é?’, e voltou-se em seguida para Chuck.”

(p. 44)

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18 Comentários + Comentários pelo Facebook
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janeiro 30, 2015
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  • Maria Fernanda

    Eu só assisti ao filme, mas quando descobri que tinha livro, fiquei doida para ler *_*

    • Gui

      Cada um é uma experiência única! Pena que não dá esquecer temporariamente o enredo na hora de ler ou assistir hehehe XD

  • Luciana

    Nossa, eu já vi o filme e confesso que fiquei impressionada com o final do mesmo, ainda não tive a oportunidade de ler, mas vai entrar para a lista. Adorei o post :)

    • Gui

      Tenho certeza de que, mesmo sabendo o final, você vai adorar a leitura também! (mesmo que não seja a mesma experiência de ir descobrindo a história)

  • Clarice F Vigliazzi

    Oi, Gui.

    Você tem algo mágico que me faz querer ler todos os livros que você resenha! Suas resenhas são boas, leves, e um verdadeiro aperitivo.

    [se você não quer me odiar pare de ler aqui]

    Infelizmente não vemos muito disso no mundo jornalístico/editorial, já que hoje qualquer babaca se diz crítico literário/cinematográfico/gastronômico/etc. É só ver os blogs do G1, por exemplo, para comprovar. Meus trabalhos do primeiro semestre da faculdade eram melhores do que as “resenhas” de muitos desses “colunistas”.

    [Pronto, meu momento revolta acabou]

    Amo TODOS os posts da Mel, acho ela talentosíssima. Mas os livros pelos quais me interesso muito mesmo são os seus, pela densidade e pelo fato de as resenhas serem tão estimulantes :D

    bjos

    • Gui

      Hahaha como poderia odiar você? Mesmo se fosse uma crítica injusta (e não é o caso: por pressão editorial, preguiça mesmo ou outras razões que desconheço, está cheio de resenhas medíocres em veículos “grandes” por aí), eu faria o possível pra entender o seu pensamento, ao invés de desprezar você por conta dele! Fique tranquila com a “revolta” XD

      É sempre uma alegria quando a gente consegue motivar os leitores a experimentar nossas sugestões! Fico muito feliz 8D

  • Amanda Salinas

    Eu li o livro publicado como “Paciente 67” e também assisti ao filme. É do tipo de filme que eu adoro, tem muito suspense e o final é incrível. Vale muito a pena. :D

    • Gui

      Opa! A edição com o nome antigo, daqui a pouco, será uma raridade! XD

  • Silvia Coelho

    Já vi o filme, mas fiquei muito curiosa para ler o livro agora.
    Amo histórias assim, que nos prendem a atenção. Já está na minha Wishlist Literária haha.
    Beijos.

    • Gui

      Espero que, mesmo conhecendo o “plot twist”, você consiga apreciar a leitura 8D O Dennis Lehane escreve super bem, e só isso já é suficiente pra deixar o livro muito “saboroso”!

  • Alessandra

    Nossa, Gui! Acompanho sempre seu trabalho e o da Mel! Já estou tão acostumada a seus estilos de escrever que sei quando você fez a resenha de determinado livro ou a Melina! Beijos!

    • Gui

      Ale, é muito bom quando isso acontece! Às vezes o pessoal não percebe que eu e a Mel temos estilos diferentes, e acabam comentando nos meus posts como se eles tivessem sido escritos pela Mel… fico super feliz que você tenha notado as diferenças! :D

  • Lara

    Assisti ao filme e adorei! Assim que acabei de assisti-lo corri pro google pra saber mais sobre o livro.
    Eu fiquei um pouco confusa com algumas coisas que aconteceram no filme, mas então depois de algumas leituras e ai que chato alguns spoilers decidi assisti-lo de novo. Achei mais incrível ainda!

    Mas ainda não li o livro, pretendo lê-lo. Quem sabe logo? Hahaha. Adorei esse post!

    • Gui

      Spoilers são chatos por si só, mas no caso de histórias como Ilha do Medo eles se tornam algo praticamente insuportável! X(

      O filme é bem rico e vale a pena ver mais de uma vez pra ir pegando detalhes O.O

  • Adeilson Mello

    Adorei o livro, não sou muito de gostar de livros com temas policiais, mas este me despertou curiosidade. Gostei bastante.
    Abraço!
    Blog Gaiolas de inverno, visite e siga o blog clicando aqui!

  • Luma Nunes

    Que babado! Não sabia que tinha o livro, eu adoro esse filme!
    Mais um pra wishlist!

  • Fêh Zenatto

    O filme é maravilhoso, um dos meus preferidos da vida!
    Fiquei super curiosa com o livro e mais ainda com o autor. Adoro livros assim.
    Li O Colecionador de Ossos depois de muito tempo de ter assistido ao filme e fiquei encantada de novo pela história. Acho que a temática é a mesma de A Ilha do Medo.

    Beijos, Gui e Mel.

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  • Mariana

    Fiquei muito interessada no livro, não conhecia. Vou dar uma olhada nas livrarias, xD

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  • Eu tenho o costume de tirar fotos de coisas que eu gostaria de comprar, mas que por algum motivo não compro (dinheiro, não precisar de verdade, falta de espaço etc.). Faço isso em qualquer situação, mas principalmente quando estou viajando e acabo vendo coisas aleatórias enquanto estou passeando. Essa ecobag aí da foto foi uma das coisas que desejei comprar lá em Toronto, mas que trouxe comigo só na forma de foto 😌 vocês também costumam fazer isso? Ou tem alguma outra “tática”?
  • que artistas de outras épocas/séculos te inspiram? Eu acho tão incrível pensar que Van Gogh viveu há dois séculos e sua obra segue marcando e inspirando gerações. Esse envelope foi presente do meu amigo querido @gustavokrelling e me inspirou a fazer várias fotos que viraram um post novo no blog 😌 vou amar encontrar vocês por lá também ♡ (e vou aproveitar para responder os comentários que vocês deixaram nos últimos posts)
  • vocês já se sentiram pressionados a ler algum livro só porque “todo mundo” já leu? Ou já fingiu que leu um livro? Essa foto foi feita em uma livraria lá em Toronto ♡ achei muito divertida essa brincadeira que fizeram com essa seleção de livros hehe falando em Toronto, essa semana liberei no canal o único vlog dessa viagem e eu amei muito cada segundo dele e hoje liberei um novo study vlog no canal 😌 espero que vocês gostem vídeos novos!
  • vocês costumam ler um livro por vez ou vários ao mesmo tempo? Durante muito tempo eu só conseguia ler um, mas hoje em dia tenho até que me controlar para não levar mais de um na mochila quando saio de casa 🤭 ah, hoje teve post novo no blog e nele apresentei a minha nova roommate 🌿 (spoiler: ontem fui na @borealisplantas ♡)
  • vocês costumam ficar revendo fotos do seu rolo de câmera e relembrando de como foi o dia em que você tirou ela? Eu amo fazer isso ✨ essa foto é do dia 28-11-2018. Um dia depois de ter visto a neve caindo pela primeira vez. Eu e o @hasegawaphoto andamos muito. Fomos em várias lojas de vinil, almoçamos em um lugar cheio de pisca-pisca em que todos os pratos custavam 5.95 (talvez eu tenha errado o valor, mas lembro que era menos de 6 dólares) e que tinha uma placa de “free air guitar! Please take one” (vou postar a foto da placa nos Stories). De noite eu tomei um chocolate quente com menta delicioso em um Starbucks e senti como se estivesse vivendo em um filme com todo clima natalino de Toronto ♡ foi um dia sem “grandes emoções” e eu amei cada detalhe dele. Lembro de ficar olhando as casas, as folhas no chão e as árvores por onde passava imaginando como seria a vida das pessoas que moravam por ali e o que elas estariam fazendo naquele momento em que eu passava por elas sem que elas soubessem que tinha alguém criando historinhas mentalmente sobre elas hehe (eita! Será que minha legenda ficou confusa?)
  • Voltei pra casa cheia de produtinhos maravilhosos da @thebodyshopbrasil ♡ tentei separar eles por categoria nas fotos pra conseguir mostrar tudo. Não vou falar detalhadamente pra legenda não ficar gigante, mas já vou avisando que futuramente vou falar mais sobre eles no blog ♡ 
Consegui trazer pra casa 3 produtos usados na minha revitalização facial (Drops of Youth) e isso significa que já vou poder ter a minha própria rotina de revitalização em casa ♡ aos pouquinhos vou deixando ela mais completa 😌
A maioria dos produtos são para o rosto (amo amo amo máscaras), mas não esqueci dos meus cabelos (já usei praticamente todos os shampoos da TBS e agora que tenho os da linha de Shea Butter - karité - vou poder dizer que usei todos), do meu corpo (aaaaaah esses cremes com aparência de iogurte além de deliciosos tem uma absorção rápida ♡) e dos meus pés, meus queridos pés que me aguentam o dia inteiro (esse creme vai ser um incentivo a mais para voltar a correr com frequência). Tô muito feliz em poder mostrar todos esses produtos #crueltyfree para vocês 😌 espero que tenham gostado das minhas escolhas! Me contem aqui nos comentários quais os que vocês mais gostaram que eu vou amar saber ♡ ah e lembrem-se que tem cupom de 25% de desconto (MELTBS) válido até hoje na loja do Shopping Mueller @muellercwb • publicidade ♡

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