Lembro até hoje de uma reunião que tive lá por 2014/2015 com uma representante do Pinterest Brasil. Na época a plataforma ainda estava chegando no país e fui uma das blogueiras que teve a oportunidade de conhecer melhor não só como funcionava, mas também como esse novo espaço poderia ser usado para trazer mais público para o meu blog.

De todas as informações que aprendi naquele encontro, uma me marcou tanto que até hoje me sinto assombrada por ela: “Sempre use fotos verticais, pois a plataforma da preferência para esse formato na hora de entregar/destacar um conteúdo.”

A partir daquele dia, comecei a me treinar para fazer mais fotos verticais do que horizontais. Meus posts, sempre cheio de fotografias, passaram a ser compostos em sua maioria por registros no formato que poderia ter melhor desempenho no Pinterest.

Na época nem pensei muito sobre o motivo, mas hoje consigo ver que muito provavelmente a “culpa” dessa exigência era o celular. Afinal já estávamos fadados a não só ficar boa parte do nosso dia olhando pra uma tela minúscula, mas também a registrar nossa vida pensando em compartilhá-la por meio dela.

Quando olho para trás vejo que antes do grande crescimento das redes sociais, a maioria das minhas fotos eram horizontais. Não só as fotos aleatórias que tirava para mim sem pensar em compartilhar na internet, mas também as dos conteúdos que postava em meu blog.

Com o tempo, comecei a me sentir muito limitada e incomodada com a predominância de fotos verticais em meus arquivos pessoais e postagens. Não queria ficar presa nele, mas ao mesmo tempo dependia de uma boa entrega do meu conteúdo, afinal esse era o meu trabalho. Ah, e já não estou falando mais do Pinterest. O feed do Instagram, os Stories…tudo é vertical! Até o feed do Substack, que acesso pelo notebook, em sua maioria é composto por fotos verticais. Em uma rolagem rápida, 7 de 8 notes que apareceram pra mim tinham somente fotos verticais.

A gota d’água foi quando percebi que boa parte da minha vida estava sendo fotografada em 3×4. Eu olhava algo e, ao pegar minha câmera, sem nem pensar muito, ja virava a cabeça levemente pra esquerda e a câmera em 90 graus para clicar em modo retrato. Me treinei e me condicionei para registrar a vida de modo que ela coubesse na tela de um celular.

A visão humana é naturalmente horizontal e, por mais que encontremos beleza em diferentes ângulos, não quero limitar meu olhar. Não quero que, ao revisitar meus registros, eu perceba que estreitei demais minha forma de apreciar e registrar a vida e o mundo ao meu redor.

Que fique claro, não odeio e nem evito tirar fotos verticais. Amo me atentar a detalhes que muitas vezes vezes passam desapercebidos. Amo registrar o que vejo. E amo poder fazer isso em qualquer ângulo, independente do que as redes sociais incentivam/valorizam.

Hoje em dia posso dizer que registros horizontais e verticais fazem parte do meu dia-a-dia quase em mesma proporção. E, sempre que possível, tento trazer essas lembranças para fora das telas. Sempre amei ter fotos espalhadas pelo quarto, casa, diários etc. e isso é algo que me orgulho de nunca ter mudado. Inclusive, recomendo muito. É bom demais poder apreciar memórias de uma forma mais tátil e sem a iluminação artificial de uma tela.

Essa divagação é um convite para voltarmos a apreciar mais a vida sem limitar nosso olhar e nossos registros ao que cabe na tela de um celular.

Muito obrigada por estar aqui e por ter tirado um tempinho para ler minhas palavras. Isso significa muito pra mim.

Melina Souza

Melina Souza

compartilhe

Comente!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Rolar para cima